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Âncora de papel

by Miguel Oliveira

Dia Mundial do Teatro

27.03.19, Miguel Oliveira

Celebra-se hoje, dia 27 de março, o Dia Mundial do Teatro. 

Para os que me conhecem bem, sabem que o teatro é uma das minhas grandes paixões. Adoro teatro! Adoro ver e gosto de "fazer". Recuando à minha infância, lembro-me das excursões com os meus avós para vermos teatro de revista, "um género teatral de gosto marcadamente popular (...) que junta as contribuições da música, da dança e do teatro numa atuação global". Dizem os entendidos que é, talvez, dos géneros mais exigentes, uma grande escola. 

Nunca estudei teatro mas já tive a oportunidade de fazer duas peças, em jeito de brincadeira, mas que encarei com seriedade. Lembro-me dos ensaios, das marcações, do jogo de luzes, da colocação de voz, das mudas de roupa, da ansiedade, do contacto direto com o público, do seu ar atento e curioso. Lembro-me dos silêncios, da minha voz trémula e dos aplausos no fim. Lembro-me também da alegria e excitação que se sente no fim da peça, o sentimento de dever cumprido e da importância que nos foi dada durante aquele tempo. É bom. E é igualmente bom estar do outro lado, no público.

Sinto-me uma criança pequena que acaba de receber o brinquedo há muito desejado, cada vez que vou ao teatro. O ambiente, os cenários, as músicas e as luzes têm o poder de nos fazer viajar para os locais que ali são descritos e representados. Ok, com a televisão e com o cinema também podemos sentir um pouco essa sensação, mas no teatro é em tempo real, sem cortes ou edições. Fazemos parte do espetáculo. É a nossa gargalhada, o nosso aplauso ou o nosso silêncio que interagem com o ator, ali, de imediato. 

Tenho pena que o teatro não seja mais respeitado e difundido. Tenho pena que não esteja acessível a toda a gente. Mas vão ao teatro. Sintam o baixar das luzes, o levantar da cortina e a entrega de toda a equipa. É ótimo! 

Feliz Dia Mundial do Teatro.

Querer e saber receber

25.03.19, Miguel Oliveira

Na lista dos sonhos e dos quereres, poucos são os espaços em brancos. Queremos muito, desejamos muito e tudo tem de ser feito com a devida intensidade. Porém, não nos podemos esquecer do que pedimos, do que desejamos e, sobretudo, da disponibilidade que temos para saber receber e retribuir o que pedimos, especialmente quando esses quereres envolvem terceiros, igualmente com sonhos e vontades. 

Não quero ser o melhor namorado do mundo. 

Não quero ser a pessoa com o melhor corpo. 

Não quero ser o rapaz mais atrevido e safado que possa existir. 

Não quero ser o melhor ouvinte nem o melhor conselheiro. 

Não quero ser melhor que ninguém nem o melhor em nada. 

Quero, isso sim, ser eu, com tudo o que tenho. Quero ser gostado, desejado e respeitado tal como sou, com o que posso dar hoje e com o que posso oferecer amanhã, se assim for o meu entendimento. Não precisamos de alguém que nos queira mudar. Precisamos, isso sim, de alguém que esteja connosco na mudança, que nos incentive e apoie numa transformação, se for esse o nosso desejo. E peço isto com a absoluta convicção de que irei proporcionar as mesmas coisas a quem estiver do outro lado. Respeito por si e por mim. Respeito e afeto, por cada um e pela relação. 

Que nunca desejemos algo que não consigamos receber ou retribuir. Será um desejo em vão, num mundo com tanta coisa para alcançar. 

De que verbos somos feitos?

24.03.19, Miguel Oliveira

Verbos. Por definição, o verbo é a classe de palavras que "indicam ação, uma situação ou mudança de estado". 

O desafio que deixo hoje é simples: à noite, num momento tranquilo, pensem nos verbos que fizeram o vosso dia. Além do trabalhar/estudar, de que ações foi feito o vosso dia? Abraçar? Ler? Conquistar? Amar? Perdoar? Mudar

Como ocupamos as nossas 24 horas diárias? De que somos feitos ao fim de 7 dias? Apenas uma reflexão.

 

P.M.R.V.

09.03.19, Miguel Oliveira

Hoje faço-vos um pedido de ajuda.

Sei que vivemos na era do digital. As redes sociais dominam o nosso dia a dia, o objetivo de acedermos a elas para contactar com familiares ou amigos distantes há muito que foi ultrapassado e hoje, à distância de um click e de uns segundos, conseguimos falar com quem quer que seja, em qualquer parte do mundo, com os mais variados objetivos. O acesso tornou-se fácil, a ideia de que existe uma infinidade de possíveis contactos e a necessidade de uma constante novidade e interação fazem com que noções de "amizade", "privacidade" e "confiança" sejam subvalorizadas. Hoje tudo é "amigo", tudo é "normal" e partilhar o que quer que seja faz parte do jogo. Esta é a ideia com que fico ao olhar para as interações dos da minha geração, dos quais me tendo a afastar por não me identificar com o que os move, com o que lhes interessa e procuram. Porém, e porque vivemos sempre em interação e somos seres gregários, vejo-me confrontado com algumas situações que me deixam perplexo e a pensar se o mal é da sociedade ou meu, afirmando isto sem medo, mesmo que esta afirmação transmita algum ar de superioridade ou vaidade da minha parte. 

Passo a explicar o que aconteceu. 

Neste momento, a única rede social que uso onde "toda a gente" me pode contactar é o Facebook. Assim, no outro dia um rapaz "meteu conversa" comigo. Perguntas rotineiras, de quem contacta a primeira vez com alguém: "Olá. Tudo bem?"; "És de onde?"; "O que fazes da vida?"; "Que mais me contas sobre ti?", etc. Perguntas simples, tão boas como outras quaisquer. Falei sem problemas. As conversas não foram muito longas, sobretudo porque a pessoa em questão me procurava preferencialmente à noite e eu sou pessoa que me deito cedo. Dois dias depois do começo desta "amizade", fui surpreendido com a seguinte interrogação: "Desde que falamos que estou curioso com uma coisa. Posso fazer-te uma pergunta íntima?". Diz o povo que perguntar não ofende e o meu lema é que todos podemos perguntar tudo; se depois recebemos resposta do outro lado é que varia. Consenti a pergunta. "Ao ver as tuas fotos e ao imaginar o teu corpo, fiquei curioso com o teu pau. Gostava de o ver. Se preferires, posso enviar fotos do meu, primeiro, para depois mandares do teu.", foi esta a brilhante surpresa que recebi, ao ler uma mensagem assim que acordei. Fiquei perplexo, voltei a ler a mensagem e o meu estado manteve-se inalterado. A pergunta que lhe fiz, e que deixo aqui também - é este o meu pedido de ajuda - foi "porquê? De onde é que isto veio?".

P.M.R.V. (Pilas, Mamas, Rabos, Vaginas) parece que são os cartões de visita de hoje em dia. Isto podia ter várias leituras, podíamos fundamentar que uma boa primeira imagem é sempre agradável, que a apresentação física é importante e tudo mais, mas isto vai a um nível superior que eu, infelizmente, não consigo acompanhar. Por que raio é que "o meu pau" tem de ser apresentado à sociedade para eu interagir com pessoas? Por que razão é que eu mandar fotos íntimas vai sustentar o início de uma interação? Apesar desta minha postura, deixo claro que não sou púdico e sei que o sexting e a partilha das tão aclamadas nudes são o pão nosso de cada dia. Não tenho problema algum em alimentar uma conversa marota e erótica, ou até mesmo partilhar fotos mais íntimas, mas com a devida confiança e intimidade. Agora, o que me deixa intrigado é o seguinte: como é que fotos de P.M.R.V. vão ser úteis para as interações que se estão a iniciar? Qual é o objetivo de haver essa partilha? Será a masturbação? Será o ínfimo prazer de fazer piadas e de erotizar o momento com um desconhecido? 

Ajudem-me, a sério, porque eu não consigo entender! E mais, não quero passar a ideia de "certinho" e de "pessoa perfeita", porque não é o meu objetivo e a pessoa em questão já me disse que o ser "certinho e querer ser perfeito só leva a que não se arranjem amigos". Não fiquei triste com o comentário, mas senti que precisava de ajuda porque sou alguém curioso e gosto de compreender as situações. 

 

P.s.: se o "pau" é meu, partilho-o com quem quero e não será, seguramente, com "amigos". 

M

08.03.19, Miguel Oliveira

M. Não foi lapso ou falha. M é o título deste texto, deste agradecimento. M de mais. M de melhor. M de Mulher. Ainda que não goste muito de celebrar o que quer que seja só por ser o seu Dia, era impensável não deixar um comentário neste que é o Dia Internacional da Mulher. 

Não vou falar de paridades, lutas, direitos ou deveres. Vou, à semelhança do que procuro sempre nestas questões, falar com o coração e não com a cabeça. Tenho 24 anos e cresci rodeado de Mulheres, três em especial: a minha bisavó, a minha avó e a minha mãe. Cresci com ensinamentos de três gerações, três gerações que me passaram os valores que tanto prezo e que tanto me dizem. Em qualquer uma delas vi a luta e o suor para conseguir algo na vida. Em cada uma delas vi o amor e o carinho que depositavam em cada coisa, acima de tudo. Em cada uma delas vi a serenidade no olhar e o afeto no tato. De cada uma recebi o exemplo máximo de que o que é feito e dado com coração tem mais valor do que qualquer outra coisa. Gente simples, humilde, sem vaidades. Gente honesta, sempre de mangas arregaçadas, trabalhando para os seus e ajudando os outros. É isto que é ser Mulher. É por estas Mulheres que admiro o sexo feminino. 

Diz-se muitas vezes, na eterna guerra dos sexos, que as mulheres são seres capazes de fazer muita coisa ao mesmo tempo. Talvez seja verdade e talvez seja isso que mais admiro nelas. É a força, é a coragem, é o ir porque tem de ser e porque indo, fazem tudo até conseguir. Acredito que também haja homens assim, até porque não somos seres assim tão díspares, mas existe uma determinação, uma garra e uma coragem que muito me cativam. 

A todas as Mulheres, um grande, grande abraço, sentido e agradecido, por serem o que são e por me ensinarem tanto! Feliz Dia Internacional da Mulher!

Março: florescer

07.03.19, Miguel Oliveira

Março é mês de florescer, é mês de despertar para novas cores, para novos dias, para novas alegrias. Discretamente, as árvores até então despidas, começam a ganhar pequenos rebentos, pequenas esferas coloridas que esperam por brotar.  

Março é o terceiro mês do ano. Na numerologia, 3 é o número da perfeição, número associado a novas ideias, a novas possibilidades. Março é, então, altura de procurar criar algo novo, de iniciar novos ciclos. 

Viagem com tudo incluído

07.03.19, Miguel Oliveira

Não quero só um bom ouvinte ao meu lado. 

Não quero só uma boca que me beije ardentemente. 

Não quero só um corpo que me excite e me faça suar. 

Não quero só alguém que me surpreenda a cada instante e que dedique tempo à minha pessoa. 

Não quero alguém que apenas me abrace mas não me proteja. 

Não quero alguém que me desafie mas que não me acompanhe no dia a dia. 

Não quero alguém que me escreva se não me ouvir. 

Não quero alguém que me faça rir se não me der o ombro para chorar. 

Não quero alguém que me dê prazer se não me der o prazer de partilhar a vida a dois. 

 

Na verdade, acho que quero tudo o que disse que não queria, mas com uma pequena diferença: quero tudo na mesma pessoa, porque se o amor é um sentimento nobre e grandioso, deve ser vivido na totalidade, como aquelas viagens que têm tudo incluído. É isso, o amor é uma viagem com tudo incluído. 

Somos muito

06.03.19, Miguel Oliveira

Somos muito. Somos interior e exterior. Somos defeitos e qualidades. Somos dias "não" e dias "sim". Somos o melhor e o pior, tudo na mesma pessoa. Somos muito e só assim devemos ser encarados, pensados e, acima de tudo, gostados. Mesmo que algumas características sobressaiam e nos tornem objeto de interesse para alguém, é como um todo que devemos ser olhados e mantidos em qualquer relação. Se formos considerados apenas por uma das nossas partes, então seremos rejeitados quando tudo o resto se sobrepuser àquilo que levou a sermos escolhidos. Um corpo, um lado brincalhão ou um bom ouvinte, tudo em separado, não fazem uma pessoa interessante. Depois de algum tempo, falta qualquer coisa, falta mais, falta substância. Somos muito e temos de ser considerados como tal.