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ÂNCORA DE PAPEL

ÂNCORA DE PAPEL

Uma princesa que se respeita

O filme "Soltera Codiciada" termina com o seguinte pensamento:

Porque nos ensinaram que somos a princesa da história. Mas a verdade é que também podemos ser a fada-madrinha de uma amiga, se ela precisar de ajuda; o génio da lâmpada quando tentamos corresponder às expectativas de todos; e sobretudo, o nosso príncipe encantado. Porque uma princesa que se respeita, salva-se a si própria.

Por culpa da Disney, ou não, corremos atrás de um amor. É imperativo termos alguém ao nosso lado, alguém que nos ame, que connosco queira construir um mundo e que connosco queira ir descobrir o mundo. Mas, à parte desse papel, temos muito mais para oferecer, muito mais para viver e, acima de tudo, muito, mas muito mais para ser.

Que nunca nos esqueçamos de nós. Que nunca desistamos da pessoa que existe para lá da imagem, dos nossos sonhos, dos nossos objetivos, daquilo que só nós podemos dar a nós próprios.

Como diz uma frase de que tanto gosto, "Eu sou a parte que falta em mim".

Em flor

Imaginem duas flores, lado a lado. Uma foi plantada com um mês de diferença em relação à outra. Esse facto apenas lhe conferiu mais oportunidades de crescer e de se fortalecer. Apanhou sol, apanhou chuva, manteve-se firme nos dias de vento, procurou aguentar os dias de geada. Recebeu alimento e defesas. Cresceu. Desenvolveu-se. Ainda que com pouco tempo, foram 31 dias de desenvolvimento, 31 dias que acabam por fazer a diferença, 31 dias de bagagem.
Agora imaginem que essas flores têm um limite mínimo para que possam ser colhidas e embelezarem um qualquer ambiente. Assim, ainda que igualmente bonitas e cheirosas, não podem ser colhidas ao mesmo tempo. Estão em fases diferentes.

Estas flores somos nós. Nós, eu e tu. Ou qualquer um de nós que se cruze com qualquer outra pessoa. Todos nós passamos por uma série de situações idênticas, que nos fazem crescer, que nos desenvolvem, que nos dão bagagem e estofo. Porém, somos plantados em dias diferentes e temos tempos de recolha diferenciados. Ainda que queiramos o mesmo, que necessitemos do mesmo, não podemos abraçar-nos porque não estamos na mesma fase. Ainda não apanhámos a mesma quantidade de sol, tampouco ultrapassámos as mesmas tempestades. E contra isso não se pode fazer nada. Não podemos obrigar ninguém a crescer depressa; não podemos querer ser o abrigo de alguém; não podemos querer ocupar o lugar do tempo e retirar-lhe o seu papel. Encontrámo-nos desencontrados, em fases diferentes, ainda que movidos pelo mesmo sonho, pelo mesmo desejo, pelo mesmo objetivo. 

Eu estou aqui, ainda agarrado às raízes cravadas na terra, mas pronto para ser colhido e fazer sorrir alguém. Tu estás perto, demasiado perto, e é de perto que te vejo receber os abanões do vento para que cresças e sejas forte. Por muito que queira, não pode ser de outra forma. Não te posso retirar o que já tive. Nem vou fazê-lo. Por agora, fico aqui, a contemplar-te. Talvez um dia possamos ser colhidos juntos.

Consistência

Consistência: estado daquilo que é consistente. Firmeza. Estabilidade (Dicionário Priberam).

Vamos elencar alguns exemplos onde a consistência foi a chave para a conquista:

- lembram-se quando andávamos na escola primária e tínhamos de desenhar as letras, primeiro as vogais e depois as consoantes, vezes sem conta? Primeiro tínhamos de as identificar e depois de as desenhar até ficarem perfeitinhas. Como conseguimos? Com consistência. 

- sabem quando queríamos aprender a saltar à corda ou a andar de patins, mas parecia difícil conseguir coordenar os movimentos até conseguirmos manter a postura e o equilíbrio? Foi preciso insistir e treinar algumas vezes até que o movimento adequado surgisse e a intensidade pudesse aumentar. O que tivemos de fazer? Ser consistentes. 

- quem treina num ginásio ou pratica alguma modalidade desportiva reconhece que o primeiro dia de treinos foi muito diferente daquilo que são hoje em dia, seja pela postura, pela intensidade ou a regularidade dos treinos. E porquê? Porque vamos melhorando a nossa condição física e conseguindo "dar mais" a cada treino. E sim, também foi com consistência que o conseguimos fazer. 

Estes são alguns exemplos de como a consistência faz parte da nossa vida e nos ajuda a atingir determinada coisa. Desde as atividades mais simples ao exercício mais complexo, em miúdos ou graúdos, com consistência as coisas ganham forma e conseguimos concretizá-las. Ora, o mesmo paralelismo pode ser aplicado às relações, sejam elas de amizade ou amorosas. É a mesma consistência no contacto, na partilha, na disponibilidade, no amparo e no respeito que leva a que a ligação se estabeleça entre as pessoas. 

Confesso que me custa a aceitar a ideia de algo tomado como certo ou adquirido. Conseguem dar-me um exemplo de algo que seja nosso de forma eterna? Nosso, verdadeiramente nosso, com esse sentimento de posse e de completo domínio? A primeira coisa que me ocorre são os elementos da família, mas nem esses são eternos ou exercemos sobre eles qualquer tipo de posse. Pertencemos àquele grupo, é certo, mas somos seres autónomos, existimos além de. Por isso insisto tanto no carinho, no toque, no olhar, na mensagem, e em tudo aquilo que levou a que duas pessoas se unissem. É isso mesmo que contribuirá para que se mantenham unidas.

É a sensação de que continua a fazer sentido que dá sentido à relação. Amem hoje, amanhã e depois. Demonstrem hoje, amanhã e depois. Invistam todos os dias, com o mesmo e com a novidade, mas nada cresce sem investimento. Sejam consistentes. 

Saudade

Sentimos saudades muitas vezes, de muitas coisas. São saudades de experiências vividas, saudades de pessoas, de locais que nos marcaram. Porém, uma questão se impõe: já alguma vez sentiu saudades suas? Saudades das suas melhores características, da sua melhor gargalhada, do seu olhar mais brilhante? Já alguma vez sentiu saudades de estar feliz apenas por si, por um feito seu?

Às vezes perdemo-nos. Perdemo-nos nas obrigações, nas tarefas, nos sonhos, nos medos, nos pensamentos negativos, nas ansiedades, mas, o pior de tudo, perdemo-nos de nós! Desviamo-nos do que somos, daquilo que podemos fazer de positivo, daquilo que podemos fazer por nós. Se é verdade que temos em nós todos os sonhos do (nosso) mundo, então temos em nós a possibilidade de dar gás a tudo aquilo que precisa de energia para se mover. 

Temos de ir à nossa procura, de nos resgatarmos da agitação que é a nossa vida e de procurarmos em nós o nosso melhor lado, o nosso melhor amigo, o nosso mais fiel companheiro. 

Abril: libertar

Abril é mês de liberdade, mais do que em qualquer outro momento, é mês de nos libertarmos de tudo aquilo que nos incomoda, que não nos aquece nem arrefece, que apenas está por estar. 

O verbo escolhido, libertar, presta-se a múltiplos significados. Porém, talvez aquele que mais me faz sentido, seja o de libertar tudo aquilo que temos dentro de nós. Libertar o que está por dizer. Dar voz ao que sentimos e muitas vezes fica retido em nós. Que usemos ao máximo a excelente capacidade de comunicação que possuímos. 

 

"- Morreu de quê?

- Se sufocou com as palavras que nunca disse."

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