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Âncora de papel

by Miguel Oliveira

O melhor lugar para um concerto

23.08.19, Miguel Oliveira

concerto

Imagine-se num concerto há muito desejado. O dia do concerto chegou. Depois de um dia longo, de muita espera e alguma ansiedade por poder estar perto do seu ídolo, está na hora do espetáculo. Com tempo, foi-se colocando nas primeiras filas. A multidão vai-se chegando e, aquilo que até há uns minutos era um lugar confortável, transforma-se num lugar de sufoco, apertado, sem espaço e que inviabilize, e muito, a sua oportunidade de aproveitar o concerto que há muito queria. 

O que fazer nesta situação? Está no concerto que há muito desejava assistir, a antecedência com que foi para o recinto do espetáculo permitiu-lhe estar na linha da frente mas, agora, está numa situação em que não pode mexer-se, dançar, sentir a música e aproveitar o momento. Que soluções lhe ocorrem? Há alguma coisa que possa fazer para recuperar o que até há instantes era um lugar confortável?

Um amigo próximo passou por esta situação. A solução por ele encontrada? Muito simples: preferiu andar um pouco para trás, perder alguma visibilidade, mas ganhar espaço e conforto. Desta forma, teve a oportunidade de aproveitar o momento que há muito desejava. Com este pequeno gesto, que resulta de uma capacidade de pensar as situações, conseguiu cumprir o seu propósito para aquela noite. 

E a vida é um concerto. Todas as situações pelas quais vamos passando são concertos de multidões, que nos esmagam, sufocam e limitam-nos o movimento. Nalguns concertos, o pouco espaço é-nos suficiente. Conseguimos aproveitar tal como queríamos. Porém, há outros em que sem espaço a noite não é a mesma. E nestas situações, que nos apanham desprevenidos e nos fornecem um cenário totalmente oposto ao esperado, só há uma coisa a fazer: repensar o nosso lugar na situação. Não podemos mudar as situações, nem fugir delas, porque já nos encontramos envolvidos. Elas são o que são, têm geralmente muitos fatores externos a nós e comportamentos que não podemos controlar - os dos outros. Porém, existe ainda algo que é nosso - e que muitas vezes ignoramos - a capacidade de repensar a nossa posição, a oportunidade, a cada momento, de vermos o que temos e como podemos melhorar. Tendemos a olhar para fora, a culpar o comportamento do outro, a falta de sorte, o excesso de azar, o que for. Mas esquecemo-nos de usar o que temos - a nós mesmos. Esquecemo-nos de usar tudo aquilo que nos diz respeito e que, como todas as competências adquiridas, existem para serem usadas. 

Que em todos os concertos pelos quais vai passando, encontre sempre o seu cantinho para usufruir o momento. Há sempre um cantinho melhor!

E se o amor fosse...?

20.08.19, Miguel Oliveira

Gosto de intensidade. Mesmo nas coisas mais simples, se forem oferecidas com intensidade, tudo fica melhor, tanto o momento como a recordação. E no amor não podia ser diferente. Não para mim!

Se o amor fosse uma bebida, não quereria uma bebida de tara perdida nem o vinho mais barato do supermercado; preferia um vinho de reserva, o mais galardoado e caro que existisse, cujo sabor melhora com o tempo. 

Se o amor fosse um prato de comida, não queria uma "diária" de um qualquer restaurante, que se serve na mesma dose, todos os dias, em todos os locais; em vez disso, queria um prato do mais alto e requintado restaurante, tão pormenorizado, intenso e delicado que quase nos atrevemos a não tocar. 

Se o amor fosse uma paisagem, não queria uma paisagem que todos visitam, que todos conhecem e onde todos vão em busca da melhor fotografia; ao contrário disso, escolheria o local mais recôndito, desconhecido pela maioria, mas edificado e preservado pela natureza. 

O amor é assim. Pelo menos o meu amor, a minha forma de o entender. Tem de ser singular, intenso e único. 

Brincadeiras na areia

18.08.19, Miguel Oliveira

brincadeiras

O dia está quente. Ladeados por uma água calma, azul e brilhante, eles brincam na areia branca da praia. "Trouxeram a casa às costas", como diriam os seus avós se ali estivessem. Entre carros, baldes, raquetes e discos voadores, estão ali. Andam para a frente e para trás. Correm, saltam, molham-se e sorriem. Falam alto da mesma forma como sussurram baixinho ao ouvido de um amigo: alegres. É alegres que estão o tempo todo. Há alegria na corrida para a água; há vivacidade nos "croquetes de areia" em que se transformam; há risos nas trocas de lanches; há luz nos seus olhares. Olhando para eles, encontramos o que encontramos em nós, adultos: mil formas, tantas quantas existem seres humanos neste planeta. 

Sentados na areia, na toalha ou caídos à beira mar, numa manobra falhada em cima de uma prancha, nada mais importa. Não importa se têm refegos no corpo, se os calções desceram ou se a parte de cima do biquini das meninas subiu. Riem-se de tudo, ajeitam-se e seguem viagem. Este é o verão daqueles que estavam ali, à minha frente.

Com menos de metade da minha idade, aquelas crianças ensinaram-me muito naquele dia. Ensinaram-me que somos 7,7 mil milhões de seres a habitar esta Terra. 7,7 mil milhões de corpos. 7,7 mil milhões de cores, formas, penteados, cicatrizes, marcas de nascença, pilosidades, tamanhos e todas as demais características que queiramos evocar. Na verdade, e porque a verdade é só essa, não existe nenhuma cópia de nós mesmos. Nenhum de nós é perfeito, com o sem o penteado da moda, com ou sem o corpo de revista que nos vendem todos os meses nas bancas dos quiosques, com um tom mais ou menos escuro, com a depilação mais ou menos feita em cada uma das tantas partes do corpo. Não há perfeição. Não existe. E nunca, em momento algum, vamos agradar a todos. É impossível e, acima de tudo, desgastante. 

Desde que comecei a ganhar consciência do meu corpo, do seu tamanho e das suas formas, comecei a lidar mal com ele e comigo. Não gostava, não correspondia àquilo que desejava, àquilo que os que me rodeavam diziam ser o "desejável", o "bonito" ou o "apetecível", quando a idade começou a passar e a vida sexual se iniciou. Havia sempre algo a melhorar. E de tanto querer melhorar, de tanto querer disfarçar o que havia e desejar o que não era, sentia-me preso. Ir à praia ou à piscina era algo que mexia comigo. "Mais um ano e ainda estou assim", pensava eu todos os anos. Adoro água, adoro nadar e flutuar. Sinto-me um peixe na água mas, em praia ou piscina, até chegar à água há dezenas de olhares; até chegar à água há dezenas de eventuais "críticos" que, olhando para mim, podem julgar a imagem que ali desfila. Porém, este ano algo mudou em mim. 

É frequente "os mais velhos" dizerem que têm muito a aprender com "os mais novos". Pois foi exatamente isso que aconteceu com aqueles miúdos.

O que é que existe mais do que aquele momento de brincadeira? O que é que existe mais do que aquela corrida, aquela gargalhada ou aquela queda? Nada! Porque no momento, apenas existe o momento. E basta olhar à volta para perceber que tudo é diferente. Todos somos diferentes. Somos 7,7 mil milhões de páginas recortadas, pintadas, marcadas e escritas de forma diferente. Os modelos de revista passam num casting. Os atores e apresentadores passam em castings. O que chega até nós é um produto do meio e, mesmo assim, não deixam de ser todos diferentes. 

Graças àquelas pestes barulhentas que, por algum motivo me chamaram à atenção, caminhei à beira mar sem t-shirt, andei pela avenida, junto à praia, sem t-shirt e caminhei até à água sem braços a tapar a barriga. Este é o meu corpo, tão simples e perfeitamente imperfeito como todos aqueles que me rodeiam. Graças àqueles miúdos, percebi a importância que o meu corpo tem no meio de 7,7 mil milhões de "defeituosos" como eu - nenhuma.

Mundo de atualizações

06.08.19, Miguel Oliveira

Vivemos numa sociedade de consumo. À nossa volta tudo é feito para que queirarmos trocar o velho de hoje pelo novo de amanhã. Tudo o que se pretende é que queiramos mais e melhor. E há sempre mais e melhor, ou pelo menos é isso que nos tentam passar. De pessoas a bens, há sempre possibilidade de troca. 

Tudo está cada vez mais tecnológico, e onde há tecnologia há sempre espaço a melhorias, inovações e tendências. Os topos de gama de hoje são antiguidades amanhã. Seja nos gadgets, meios de transporte, utensílios de cozinha/electrodomésticos, ou noutra coisa qualquer, há sempre espaço a trocar. E trocamos porque nos queremos manter atualizados, porque queremos ter melhor para ser mais.

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Porém, no meio disto, pergunto: quantas vezes nos analisámos para melhorarmos as nossas funcionalidades? Quantas vezes nos dedicámos a nós para atualizarmos para a versão mais recente? Quantas vezes nos confrontámos com o modelo atual para detetar possíveis melhorias? 

Três semanas de mim

04.08.19, Miguel Oliveira

A vida é curiosa, e se estivermos atentos às pequenas coisas que nos vão acontecendo, conseguimos encontrar um fio condutor na maior parte das situações. 

Este post é um desabafo. Um desabafo que surge na altura em que já me sinto preparado para o fazer. Este blog não é um mero blog, onde partilho coisas bombásticas ou pensamentos brilhantes, nem tão pouco habituo os seguidores a qualquer tipo de periodicidade. Este é um "caderno meu", é a minha âncora que não sendo de papel, é onde escrevo sempre que sinto a necessidade de os meus pensamentos ganharem uma outra forma. E é por isso que tenho escrito menos. Mas isso já se perceberá.

Dia 7 de julho, 14h50 - viagem para Lisboa. Um compromisso do meu irmão fez-me acompanhá-lo até Lisboa. Era um domingo e, aproveitando a viagem, quis aproveitar a estadia por lá. Resolvi ficar dois dias, regressando a casa na terça feira seguinte. 

Lisboa

Dia 8 de julho, 9h00 - saída de casa de um amigo que nos deu guarida. Essa segunda feira seria um dia diferente, para mim. Sempre que vim a Lisboa, cidade onde venho com frequência há 5 anos, andei acompanhado. Com namorado ou amigos, sempre fiz questão de não andar sozinho pela cidade. O meu lado medroso afastava-me das linhas de metro e dos autocarros. O meu lado prático e curioso levava-me para os sítios que se veem nas reportagens, novelas ou redes sociais. Os grandes pontos turísticos eram o meu fascínio. Queria ir descobrir aqueles locais e, sendo centrais, estaria mais protegido. Era assim que me sentia. Porém, naquela segunda feira, estava determinado a fazer diferente. E fazer diferente porque 5 anos se passaram; fazer diferente porque eu estou diferente; fazer diferente para ser diferente. Considero que tenho um lado aventureiro e colocar uma mochila às costas e partir é das melhores sensações que me podem proporcionar. Porém, nessas partidas, nunca fui sozinho, e era disso que sentia vontade de viver. Então, ia passar o dia sozinho. Iria onde nunca tinha ido, andaria pelas ruas à descoberta de novos caminhos, passaria por nunca antes tinha passado. 

E assim foi! Andei imenso a pé. Passei por sítios onde nunca tinha ido. Senti os cheiros, os sons, a correria dos tuk-tuks e dos turistas. À hora de almoço, sentado no Miradouro de São Pedro de Alcântara, com uma cidade imponente à minha frente, escrevi um postal a uma amiga. Lembro-me de estar sentado e de pensar na pequenez que sentia por estar ladeado por uma cidade tão grande e que, apesar de a visitar há muito tempo, não conhecia. Dali a uns meses, aquela cidade faria parte da minha vida. Dali a uns tempos, teria de passar por Lisboa todas as semanas. Talvez fosse esse o objetivo daquele dia: conhecer a cidade que havia de me acolher; conhecer-me numa nova cidade. Sentado, de postal na mão, lembro-me de pensar, feliz: "hoje é um bom dia. Estou a perder-me para me encontrar!". E aqui está o lado curioso da vida...

São Pedro de Alcântara

Perto do fim do dia lembro-me de estar numa paragem de autocarro, a partilhar com um amigo a aventura do dia. Já tinha ido a todos os locais que estavam destinados àquele dia, e tinha tido a sorte de me cruzar com tantos outros que nem estavam nos planos. E o melhor de tudo é que estava feliz e sentia-me muito mais rico! Rico pelos locais que visitara, pelas sensações que carregava e pela força que sentia. Naquele momento, a frase de um filme de animação ("a única forma de enfrentarmos o medo é agirmos como se não tivéssemos medo") fazia sentido a 100%. Só pensava na quantidade de vezes que adiei ou evitei andar sozinho por medo, na quantidade de vezes que desperdiçara sensações tão boas! Estava realmente feliz! 

Dia 9 de julho, 10h30 - viagem de regresso para casa. Regressava feliz. O cansaço dos muitos quilómetros percorridos era sinónimo de alegria, de conquista, de uma força que não me lembrava ter sentido alguma vez. Adormeci durante a viagem. Às 12h acordei com o telemóvel a tocar. Do outro lado, uma senhora dizia-me "O IEFP aprovou o seu estágio. Pode fazer estágio connosco, mas é para começar no dia 15, na próxima segunda feira. Consegue?". Fiquei sem chão. Tinha acabado de sair de Lisboa e, do nada, o estágio que procurava há mais de 10 meses, ia acontecer. Tinha acabado de sair de Lisboa e, no domingo seguinte, tinha de voltar com tudo. Tinha acabado de sair de Lisboa e dali a uma semana, seria ela a minha casa. Chorei. Ri. Tremi. Agradeci. Oscilei entre o pânico e a excitação. No dia anterior tinha pensado que me estava a perder para me encontrar. E não é que essa era a moleta que havia de servir de motor dali em diante? Como as coisas são... 

Os restantes dias dessa semana foram uma autêntica loucura. Entre fazer malas, procurar quarto, ver preços e fazer contas, ainda não me tinha caído a ficha. Como é que dali a uma semana, aquela já não seria a minha casa? Como é que dali a uma semana não seria aquela a minha rotina? Onde ficava o meu quarto? Onde ficava a minha família? Onde ficava a senhora da padaria que todos os dias tentava adivinhar quantos pães ia querer, porque nunca levava o mesmo? Onde ficavam aquelas ruas que quase podia fazer de olhos fechados por serem as mesmas que percorria há anos? Como é que tudo podia mudar tão de repente? Não dormi nessa semana. 

Dia 14 de julho, 12h - viagem para Lisboa. Vinha carregado. Comigo vinham as malas, os livros, a ansiedade, o olhar apreensivo, e uma vontade enorme de continuar a viver o que havia vivido na segunda feira anterior. Só indo em frente é que se consegue algo novo. Só indo à descoberta é que se pode descobrir. Não há outra forma. Tinha sido tão bom o que tinha sentido! Não podia ignorar a capacidade que agora estava a descobrir em mim. 

Lisboa

Dia 15 de julho, 11h - chegada ao local de estágio. Uma associação com a sua grandeza, uma sala cheia de pessoas que conversam e trabalham. Ali estava eu. Entre telefonemas, saídas e entradas, seria aquela a minha casa durante os próximos nove meses. Seria aquela a minha rotina dali em diante. Estava ansioso mas muito curioso. "Ok, consegui o estágio. Agora é deixar este medinho em casa e aproveitar o que isto tem para me dar.", pensei durante todo aquele dia. Ao fim do dia entrei na casa que seria a minha. Adorei a casa. Arrumei tudo o que tinha. A rotina tinha de ganhar forma e dali em diante o gps do telemóvel seria o meu fiel companheiro. Tinha paragens de autocarro para conhecer, ruas para descobrir e supermercados para visitar. Fiz-me à estrada, a pé como sempre, e lá fui eu. Ao fundo da avenida estavam os meus queridos amigos - os supermercados. Fiquei feliz só por isso. Comida não me havia de faltar. 

Ao longo dessa semana tudo foi novidade. Novas pessoas/colegas a cada dia, novos percursos, novas conversas, novos locais visitados. Entre leituras, nomes para fixar e rotinas para aprender, estava alguém que oscilava entre a vontade de querer mais, de querer ver o que havia para descobrir, e a necessidade de encontrar um espaço confortável e acolhedor que o reconfortasse. 

Dia 19 de julho, 18h30 - correria para apanhar o expresso para casa. No caminho, duas viagens de metro, sozinho, de malas na mão. Que felicidade! Nunca subi uma montanha, mas sentia-me como tal. Que conquista imensa. Como já aqui escrevi uma vez, os nossos desafios têm na base as nossas experiências de vida. Aquilo que é desafiante para uns, pode ser a rotina para outros. Não importa. Importa ir e vencer o desafio. Foi o que senti ali, encostado à porta do metro. À minha frente estava um bebé. Como é hábito meu, sorri-lhe. Mas não lhe sorria só para interagir com ele. Sorria-lhe porque queria sorrir, porque estava orgulhoso de mim. Que semana! 

Dia 20 de julho, 1h30 - chego a casa, à minha casa. Voltar para os braços da minha mãe era o meu maior desejo. No caminho jantei com os meus avós. Sempre presentes, sempre na primeira linha à minha espera. Que bom que foi voltar à minha cidade, aos meus locais, às minha paisagens. Que bom que era sentir a segurança de andar sem medo de me perder.

Dia 21 de julho, 12h30 - regresso a Lisboa. Sair de um expresso, apanhar o metro e apanhar um outro autocarro que me levaria a casa, a uma casa que começava a ser minha. Um cheiro que me começava a ser familiar. Sentia-me mais solto, mais capaz, mais Eu. Estava a mudar, porque era obrigado a isso, mas estava a ser tão bom! Estava a descobrir tanta coisa. 

Nas duas semanas seguintes descobri muitas coisas. Descobri que tenho um medo imenso de que a comida que tenho em casa não seja suficiente; descobri que afinal consigo ver filmes em casa, o que dificilmente acontecia porque adormecia sempre; descobri que não chorei como achava que ia fazer todas as noites; descobri que a vida continua a acontecer e que nos continua a dar coisas boas, assim estejamos disponíveis para ela; percebi que o hábito de cozinhar ao domingo é uma ótima forma de aproveitar os fins de tarde, durante a semana; percebi que o pão pode não ser o mesmo, mas que há ótimas padarias onde o posso ir comprar, como fazia em casa, para tomar um pequeno almoço mais descansado ao fim de semana, ainda que sozinho; percebi que limpar a casa ao sábado de manhã, enquanto ouço a minha música, é a melhor desculpa para dormir uma valente sesta à tarde; percebi que família, a de sangue e a escolhida, continua cá, mais longe ou mais perto, porque entre clips de voz, mensagens ou chamadas, tudo continua igual; descobri que sou mais autónomo do que pensava; assegurei-me de que sou realmente pragmático e desenrascado; senti que há dias menos bons, e que acontecem não porque estou longe de casa, mas porque a vida também é feita deles e de pessoas que pouco nos dizem; aprendi a relativizar as coisas e que as mesmas têm a importância, atenção e peso que lhes dermos; aprendi a olhar ainda mais por mim, porque sou o único a quem pertenço e só eu  mesmo posso cuidar de mim em qualquer momento. 

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Nestas três semanas de muita novidade e descoberta, tive três semanas de mim. E como é bom sermos abanados e podermos descobrir novas coisas todos os dias! Há dias frios, cinzentos e carregados, mas também há dias de sol, de força e vontade de vencer, mesmo quando a chuva lá fora se faz sentir.