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ÂNCORA DE PAPEL

ÂNCORA DE PAPEL

Sobre dias felizes

Há dias e dias. Depois, há dias felizes. Aqueles em que estamos felizes! Aqueles onde as horas não custam a passar, onde tudo flui e tudo tem o seu tempo. Aqueles dias em que nos sentimos competentes, escutados e valorizados. Aqueles em que tudo à nossa volta faz sentido. Aqueles em que queremos gritar ao mundo e partilhar toda a emoção que vai dentro de nós!

Hoje está a ser um dia assim. Um dia feliz! Não que me tenha saído dinheiro numa raspadinha ou que tenha ganho alguma outra coisa. Mas está a ser um dia onde não perdi nada e tudo tem sido lucro. Um dia em que pude sentir que estou a ganhar o meu espaço num ambiente totalmente diferente, onde me sinto eu e há liberdade para ser eu próprio. 

Que haja dias felizes muitas vezes e que os guardemos sempre na memória, para nos abanarmos nos dias mais cinzentos!

"Abandone a ideia de porta certa. São apenas caminhos diferentes."

Onde estão as pernas do nosso corpo?

Mindful

Andamos sempre a correr e, na maioria das vezes, corre mais a nossa cabeça que o nosso corpo. 

Na viagem para o trabalho, onde estamos com a cabeça? Na discussão do dia anterior, no problema que ficou por falar ou nas tarefas que nos aguardam para realizar, por exemplo. 

Na viagem para casa, quão longe anda a nossa cabeça? Vai nas tarefas de casa, na lista de compras do supermercado ou no fim de semana que queremos que chegue? 

Numa viagem, mesmo de passeio, por onde andamos? A pensar na paragem de destino, nos locais que vamos visitar ou nas coisas que vamos fazer?

Nestas ou noutras situações do nosso dia a dia, a nossa cabeça está sempre onde está o nosso corpo? De todas as atividades que realizamos, quantas vezes estamos conscientes e focados naquilo que estamos a fazer? Poucas! Muito poucas!! Andamos sempre no passado ou no futuro, sejam eles mais ou menos longínquos, e raramente estamos onde realmente estamos. 

Prestamos atenção a novas tarefas, para que as consigamos realizar, mas quando se tornam tarefas mecânicas, que poderíamos fazer quase de olhos fechados, rapidamente nos afastamos do nosso corpo. 

Quantas vezes, enquanto lavamos a louça do jantar, por exemplo, estamos focados na tarefa? Quantas vezes prestamos atenção à forma como os nossos dedos seguram a louça? Quantas vezes sentimos a temperatura da água nas mãos? Com que frequência sentimos a envolvência da espuma? Quando foi a última vez que sentiu o aroma do detergente da louça? É um exemplo simples, mas de uma tarefa que virou rotina e sobre a qual não prestamos atenção alguma. 

Estarmos despertos e sensíveis ao momento presente não é algo inato, sobretudo pela correria que o dia a dia exige, mas é algo que pode ser aprendido. Podemos começar nas tarefas mais simples que, curiosamente, são aquelas em que desviamos logo a atenção para o ontem ou para o amanhã. 

Somos um ser sensitivo. Temos cinco sentidos e um corpo inteiro que deteta tudo aquilo nos rodeia. Temos cheiros no ar, oscilações de temperatura, posições corporais, pulsações no corpo, paisagens que nos circundam, etc. No fundo, é como se tivéssemos todas as capacidades de que necessitamos e não lhe déssemos o devido uso, não retirando todos os benefícios daquilo que nós próprios temos para nos oferecer. 

Uma forma simples de experienciar esta capacidade: em pé ou sentado, onde estão as pernas do nosso corpo? Em que posição? Os pés estão confortáveis? Quentes, frios, apertados?

Voltar para os braços da minha mãe

sentir-me em casa

(este texto pede uma banda sonora apropriada. Clique na imagem para ouvir)

É sexta feira. O relógio marca 1h32 da madrugada. Nunca como agora, desde que me lembro, olhei para as horas desta forma. É tempo de voltar. É tempo de regressar ao que é meu, onde me sinto eu. É tempo de regressar a casa. 

Uma semana fora. Uma semana entre vilas que não conhecia, que não me eram nada, que não eram a minha casa. Uma semana a acordar num quarto que não era o meu, a fazer a rotina numa casa que me era estranha, a percorrer ruas que não conhecia, a cruzar-me com pessoas que nunca vira. Assim foi a minha semana. Assim foi a minha primeira semana fora de casa. Mas agora, a instantes de entrar no prédio que tão bem conheço, sinto-me em casa. 

Olhei para a janela de minha casa. O reflexo da luz que se via nas janelas da marquise adivinhava alguém na sala, à minha espera. Estaria alguém para me receber, apesar das horas tardias. O som da porta do prédio é-me familiar. Os cheiros são-me familiares. Cheguei a casa. Coloco a chave na porta e estou feliz. Esta é a minha casa. Os meus cheiros. Os meus cantos e recantos que consigo percorrer de olhos fechados, com muito mais segurança do que a casa vazia que agora habito. Da sala, feliz e contente, sai a minha mãe. Que saudades daquele abraço. Que saudades daquele cheiro. Que saudades de me sentir reconhecido em algum lugar. 

A casa continua quente. O sofá da sala, onde me deito ao colo dela, tem ainda mais significado. Colocámos a conversa em dia. Estivemos uma semana sem nos vermos. E isso não é novo entre nós. Novo é saber que essa semana se prolongará por um período de 9 meses, marcado pontualmente por visitas de fim de semana. Isso sim, é novo e tem um "q" de assustador. 

Ambos reconfortados e de coração cheio, entre abraços e sorrisos, fomos dormir. Cheguei ao meu quarto. Não há lugar melhor que o nosso quarto, a nossa cama, as nossas roupas, os nossos pertences. Podemos estar na melhor viagem, no melhor hotel ou na melhor aventura do mundo, mas não há lugar como o nosso. Ainda que muito cansado, não tinha sono. Estava muito agitado. Não sabia como era chegar a casa desta forma. Entre voltas na cama, lá adormeci, sentindo-me em casa e reconhecendo o espaço. Que sensação tão boa! 

Regressei a casa. Amanhã regresso à outra, que em parte, algum dia, também será um pouco minha, mas nesta estou feliz! Nesta sou eu, com os meus! 

O vizinho de trás

Certamente já viveu a experiência de estar numa plateia qualquer ou num banco de um transporte público e o vizinho de trás, quando existe, estar sempre aos toques na cadeira. Ao início esperamos que tenha sido por distração. Depois esperamos que a pessoa repare. No fim, incomodados com a situação, já só queremos dizer que pare. Dizemos sempre? Acredito que nem todos nós nos viremos para trás para chamar a atenção. Acomodamo-nos. Esperamos que passe e distraímo-nos com outra coisa. Resultado disso? Vivemos aquele momento incomodados com a situação, que podia ser evitável, mas como não nos expressamos, nada muda e apenas temos de suportar.

satisfação sexual

Pois bem, e se esse vizinho da cadeira for o/a seu/sua companheiro/a? Sim, aquele/a com quem namorisca, aquele/a com quem se deita e troca carícias ou faz amor? Acha legítimo estar a suportar uma situação que lhe desagrada? Acha que é suposto "levar com toques incomodativos"? Acha justo que o outro continue a fazer uma coisa que pensa ser satisfatória quando, na verdade, não é? (Quantas vezes fazemos algo que julgamos que o outro gosta e, no fundo, nenhum dos dois gosta? Estamos a perder tempo e energia.) A resposta é não! Não tem de levar com eles! Não é suposto que assim seja! Não há amor ou outra coisa qualquer que justifique ou suporte tal situação. 
Expressem-se! Digam o que gostam, como gostam, e o que não gostam. Abram caminho seguro e neutro, o quanto possível, para serem ouvidos e ouvirem - sim, ouvir e serem ouvidos. Não se pretende que "quem diz o que quer, ouve o que não quer". Pretende-se, isso sim, que haja um terreno uniforme, seguro, onde se pode pisar sem risco de bombardeamento. Aceitem o que o o outro tem para dizer, mesmo que seja um "não", mesmo que seja um "não gosto disso", "não gosto dessa forma". É tão válido quanto um "mais, quero mais" ou "isso, faz com mais força". Numa situação ou noutra, é o bem estar de ambos que está em causa. E de ambos pelo simples facto de que quando se faz bem ao outro, também ficamos bem. De ambos porque quando um toma iniciativa de se expressar, também nós nos podemos expressar e isso é valioso.

E criar este terreno seguro não é abrir caminho para magoar o outro ou afirmar que ele/ela não nos satisfaz. Criar esse terreno seguro é, antes de mais, abrir pequenas janelas para se partilhar o que se sente, o que se é, em todas as esferas da vida de um casal. Depois disso, depois de trabalhada a capacidade de comunicação clara, abre-se espaço para a dimensão da intimidade. E aqui, por mais sensível que o chão possa ser, tem de haver segurança para se pisar sem medo que ceda.

Todos nós temos experiências sexuais diferentes, quer se tenha tido um/a parceiro/a ou 100. E esta diferença não se prende (apenas) com a quantidade de parceiros. Prende-se, acima de tudo, com o facto de todos sermos diferentes e, como tal, gostarmos, valorizarmos e precisarmos de coisas diferentes. Não é por se gostar de sexo oral que ele é sempre feito da mesma forma. Cada um faz como sabe e como gosta. Porém, depois de negociado, pode ser muito mais prazeroso para os dois. Para o que faz porque, eventualmente, descobrirá novas formas de o fazer e porque, do outro lado, está alguém mais excitado que aumenta a intensidade do momento. As relações são trocas. Quanto mais se dá, mais se recebe. Em todas as dimensões! 

Expressem-se! Partilhem o que gostam e o que não gostam, o que excita e o que não excita na intimidade, da mesma forma natural como dizem que não gostam daquele prato; da mesma forma como dizem que não gostam de ir àquele centro comercial; da mesma forma como dizem que o assado de hoje é, de longe, o que melhor vos soube. Dizer um "não" ao outro não é criticar o outro. Dizer um "não" é abrir a porta para um "sim" mais intenso. 

A alimentação que não se vê

A sociedade tem alterado alguns dos seus hábitos de consumo. Por moda, preocupação ou cuidado com a saúde, a ideia que tenho é que temos vindo a tomar alguma consciência com o que comemos. Preocupamo-nos com o que ingerimos, com o que compramos para fazer as nossas refeições e onde comemos. Mas não somos feitos apenas de um corpo que precisa de alimentação cuidada para existir e funcionar. Somos feitos, também, de uma outra alimentação, de uma outra dimensão. Uma dimensão sem nome, feita de coisas que não se veem, mas que se sentem e se fazem notar. E é dessa que quero falar. 

Quantas vezes nos sentimos leves depois de nos afastarmos de um determinado local?

Quantas vezes a nossa boa disposição é anulada por estarmos perante uma determinada pessoa? 

Quantas vezes nos sentimos em paz, ao deitar, porque conseguimos dar a volta e sair de uma situação que só nos consumia energia e força de viver? 

Todos esses comportamentos são os ingredientes que fazem parte da roda alimentar daquela outra dimensão que falei anteriormente. Chamem-lhe alma, consciência, dimensão espiritual, ou qualquer outra coisa. Importa-me apenas salientar a importância de estarmos despertos para esses ingredientes nefastos, cheios de químicos e riscos para o nosso bem-estar. 

Quando nos damos ao outro, seja em contexto laboral, íntimo, de lazer ou familiar, estamos a partilhar a nossa energia, estamos a dar parte daquilo de que é feito o nosso interior. Ora, se damos de nós e existe uma troca recíproca e saudável, ficamos todos a ganhar e o saldo é positivo; por outro lado, se nos vemos envolvidos com pessoas ou ambientes que nada nos acrescentam e nada de positivo nos oferecem, então estamos somente a ser consumidos pelas más energias que se fazem sentir.

pessoas tóxicas

Se quiserem um exemplo claro, imaginem que são um copo de água, límpida e fresca. Quando nos rodeamos com pessoas com boas energias, rodeamo-nos com outros copos de água, cuja partilha apenas nos acrescenta "quantidade", mas em nada altera a nossa "qualidade" e o nosso aspeto. Porém, se nos permitirmos conviver com ambientes cujos envolvidos são pessoas tóxicas, que vivem centradas na vida dos outros, nos defeitos e nas críticas, estamos a permitir que eles, que funcionam como corantes alimentares, vão contaminando aqui e ali, dia a dia, alterando por completo a nossa aparência. 

Somos feitos de muita coisa, e precisamos de prestar atenção a cada uma delas. Se procuramos alimentar-nos bem, porque sabemos que o que se vê na nossa imagem é o reflexo do nosso interior, então o mesmo deve ser feito com aqueles que nos rodeiam. 

 

convívio com os outros

Bem-estar psicológico e sexual

saúde sexual

Este é um post diferente, mas muito próximo daquilo que costumo partilhar aqui. 

Com o objetivo de "estudar a relação entre o bem-estar psicológico e o bem-estar sexual", uma equipa de investigadores do Porto em parceria com o Canadá procuram perceber a relação entre estes dois construtos. 

É através das investigações que se avança no conhecimento. É através da partilha de pensamentos, ideias feitas e mitos que se consegue informar melhor a população. Por isso, e por acreditar e sentir que há muito para ser feito no domínio da sexualidade, partilho aqui os links de acesso a este questionário. 

Com uma duração de 15-20 minutos, vamos "contribuir para melhorar a compreensão acerca dos fatores que afetam a saúde sexual".

Existe uma versão para o género masculino e outra para o género feminino. Preencham e partilhem. Quantos mais preenchermos, mais informados poderemos vir a ficar. 

A fórmula da traição

Um artigo recente, focado nas questões da infidelidade, revela que tanto em homens como em mulheres, as traições ocorrem por carência. É por estarmos carentes dentro da relação que vamos procurar fora aquilo que julgamos fazer-nos falta. 

Assim, e se for possível escrever uma tal fórmula, será esta a fórmula da traição:

 

(- eu) + (- tu) + (- nós) = carência

 

E aqui se encerra muita informação. Não nos sentimos carentes só pelo que o outro não nos dá (ou não sabemos receber o que nos é oferecido). E aqui arrisco-me a dizer que isto é uma verdade, e verdade porque qualquer relação não é só composta pela partilha e pelo outro. É, desde o primeiro momento, também formada pela nossa própria pessoa, pelos nossos sonhos, desejos, vontades, experiências, medos, histórias e ambições. Por algum motivo se diz que "fizeram as malas e foram viver juntos". E as malas levam bem mais do que roupa e pertences pessoais! E se não nos esquecemos disto nunca, durante a fase da paixão e do encantamento, em que partilhamos o que nos move, o que queremos, em que nos damos a conhecer e vibramos quando nos escutam, aceitam e acolhem, depois de comprado o voucher de namoro, esquecemo-nos dos termos e condições da viagem.  

Não estaremos nós, antes de chegarmos ao outro, carentes connosco? Não nos estaremos a faltar antes dos outros nos faltarem? E digo isto por um simples motivo: somos insatisfeitos e quando sentimos que nos falta algo, procuramos. Porque quando olhamos por nós, olhamos pelo que queremos e pelo o que não queremos; olhamos pelo que nos faz bem e mal; olhamos para onde estamos e para onde gostávamos de estar; pensamos no que temos e no que queríamos alcançar. E aqui está a consciência de nós, do nosso momento, do que somos. 

saber de mim

Talvez por isso afirme que nos falta consciência. Consciência de nós, enquanto pessoas, e de um qualquer compromisso que tenha sido feito - e sim, os compromissos têm sempre dois lados. Falta-nos consciência, porque conscientes, somos proativos. E sendo proativos, damos de nós, fazemos por nós, fazemos pelo momento, seja qual for a circunstância em que nos encontramos. E dois proativos, comunicam, lutam por si e pelo que construíram; dois proativos cuidam-se individualmente, e bem cuidados, estão disponíveis para cuidar o outro.

Tudo começa em nós. Tudo acontece de dentro para fora. E mesmo quando algo acontece de forma contrária, só dura até ao dia em que nos apercebemos que temos de inverter a ordem dos acontecimentos. 

Sendo mais, faz-se mais; fazendo-se mais, é-se mais!

Pequenas questões

espelho.jpg

Todos temos dias difíceis. E as dificuldades podem ser bastante diversas. Difíceis porque somos apanhados pelos imprevistos; difíceis porque temos muito trabalho; difíceis porque há muitas situações aborrecidas para tratar; difíceis porque apetecia-nos tudo menos aquilo que temos para cumprir; difíceis porque tudo nos sai ao lado. Seja como for, há dias difíceis para todos. Porém, o que fazemos nós nesses finais de dia? 

Quantas vezes, no fim de um dia difícil, olhamos para nós? Quantas vezes refletimos nas pequenas tarefas que conseguimos cumprir? Quantas vezes damos como bem sucedido o nosso papel naquele dia? 

No fundo, e é de tudo isso que se trata, quantas vezes nos valorizamos ao final de cada dia

Em todos os dias, mas especialmente nos difíceis, devíamos pensar no que fizemos de novo; no que nos parecia impossível e foi possível; no que nos custou horrores fazer mas que foi feito. 

Tudo, mas mesmo tudo, tem de partir de nós. Se não nos valorizarmos, não reconheceremos como verdadeiro qualquer valorização que venha de terceiros. Aquilo que não acontecer dentro de nós, não será recebido quando vier de fora. 

Acariciar fragilidades

Medo

Gosto de entrevistas. E este gosto está assente na possibilidade de ouvir histórias, de conhecer pessoas, formas de estar na vida, formas de enfrentar situações. No fundo, e aplicando um conceito teórico da minha área de formação, gosto de entrevistas pela possibilidade de receber visões múltiplas sobre as situações que são comuns, em algum momento da vida, a cada um de nós. 

Numa dessas entrevistas ouvi uma frase que me fez muito sentido e que, desde então, não me saiu mais da cabeça: “nós acarinhamos muito os nossos medos, as nossas limitações”. 

Pense num medo seu. Aquele mais fundamentado ou até no mais estúpido ou sem nexo. Seja qual for o seu medo, pense nas vezes em que quase o protegeu, usando-o como escudo para não fazer determinada tarefa. Quando faço esse exercício, só me ocorre uma imagem: ter um Nenuco nos braços, pequenino e aprumado, de olhos abertos para mim, enquanto o embalo e lhe faço festinhas. Nele está o meu medo, aquele que eu cuido delicadamente, aquele que eu mostro a todos, como quem mostra um bebé, sempre que alguma situação me é impossibilitada pela sua existência. 

Resultado desta interação com o meu Nenuno? Fico paralisado. Fico no mesmo sítio, no mesmo estado. Nada de diferente acontece. Nada se acrescenta. Fico inerte. E é aí que reside o problema. 

Num determinado dia, o medo surgiu. E desde aí, demos-lhe um lugar privilegiado na nossa vida. Demos-lhe o melhor quarto que existe no nosso arrumo superior. Ele ficou lá desde então. Mas chegou a hora de o expulsar. Precisamos de deixar de proteger o bebé e soltá-lo, livre, como quem permite a um bebé gatinhar na terra. Ele não morrerá por isso. No fundo, e como diz Osho, o conselho é simples: "Mergulhe no seu medo. Entre nele silenciosamente, para poder conhecer a sua profundidade. Às vezes descobrimos que não é muito profundo.", porque o "medo é feito de desconhecimento do nosso próprio ser." (Medo: compreender e aceitar as inseguranças da vida, 2010).

O medo só existe na nossa cabeça e somos nós quem o alimenta. Somos nós quem o faz crescer saudável, dentro de nós, com todos os nutrientes que lhe damos cada vez que aceitamos conviver com ele. No fundo, o medo é como um telemóvel quando está a carregar: quanto menos lhe mexermos (isto é, quanto menos fizermos para contrariar a sua existência), mais bateria ele recebe. Precisamos de nos soltar dos nossos medos. Sim, porque todos temos medos! Uns há mais tempo do que outros. Uns numas áreas e outros noutras. Mas ninguém é "inferior" ou "fraco" só por ter medo. Porém, precisamos de usar o que temos a nossa favor - o poder. O poder de fazer diferente, de olhar para a pessoa que seríamos sem o medo e ver o que podemos aplicar hoje, quando estivermos com medo. E isso porque, como ouvi há dias num filme de animação, "a única forma de enfrentarmos o medo é agirmos como se não tivéssemos medo." (A vida secreta dos nossos bichos 2, 2019).

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