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Âncora de papel

by Miguel Oliveira

Só porque (não) faz sentido

18.05.19, Miguel Oliveira
Todos os dias nos cruzamos com muitas pessoas. Umas são-nos estranhas; outras conhecemos de vista; algumas fazem parte da nossa rede; outras já fizeram; e ainda há aquelas que, por algum motivo, num qualquer momento de um dia, começam a fazer parte das nossas interações. Por uma qualquer razão, começamos a interagir com alguém novo. Os motivos podem ser vários, do nosso lado ou do lado da outra pessoa. O que importa frisar é que uma qualquer interação começa com um sentido. (...)

A partida

11.05.19, Miguel Oliveira
Não lhes conheço a história. Não sei qual o motivo da viagem nem da despedida. Na verdade, não sei nada sobre eles. São dois estranhos, avistados do banco do autocarro em que estou sentado. Eles, encostados ao corrimão, esperam a sua vez. Estão serenos, de mãos dadas, frente a frente. Sorriem e olham-se intensamente. É ela quem vai de viagem. O autocarro chegou e os dois despedem-se. De corpos juntos, olham-se e trocam carícias no rosto. Voltam a sorrir. Assim que a porta do (...)

Em perspetiva

02.05.19, Miguel Oliveira
No outro dia aconteceu-me uma coisa engraçada.  Durante anos, os meus avós fizeram a mesma viagem, todas as semanas, para me vir buscar a casa dos meus pais, onde passava o fim de semana. Durante esses mesmos anos, a minha avó sempre foi ao lado do meu avô, na viagem de carro. Sempre o mesmo lugar, sempre a mesma estrada, sempre a mesma viagem.  No outro dia, viajámos ambos no banco de trás. Atenta, foi todo o caminho a olhar para o vidro, como se não conhecesse o percurso por (...)

Maio: definir

01.05.19, Miguel Oliveira
Maio é mês de definição.  Com muita ou pouca noção disso, estamos no quinto mês do ano. Estamos na 18ª semana de um ano com 52. Daqui a 30 dias, entraremos no 6º mês do ano, mês do calor, do desejo de férias, de algum descanso e, para muitos, mês de refletir sobre a metade de um ano que já passou e de outra metade que se avizinha. Antes dele, é tempo de definir o que a correria do dia a dia ainda não nos permitiu. Antes do momento do balanço, é momento de definir onde (...)

Riquezas

22.04.19, Miguel Oliveira
"Sem um coração rico, a riqueza é um horrível mendigo." (Emerson)   Cruzei-me com esta frase num livro que adoro e não poderia estar mais de acordo com ela! Acredito que muitos de nós vivem sem se conhecer verdadeiramente, se é que há um dia em que nos conhecemos dessa forma. Seja como for, independentemente do grau de conhecimento atingido, há valores que nos enriquecem, pessoas que nos acrescentam, momentos que nos preenchem e conquistas que nos engrandecem. Todos estes (...)

Individualidade vs. coletividade

19.04.19, Miguel Oliveira
Sou, por natureza, muito observador. Em grupo, sou sempre o que fala em último. Num jantar de amigos, sou o que fala com este ou aquele individualmente, e raramente me expresso para o grupo. Essa é uma característica que gostava de mudar, por vezes. No entanto, depois penso: por que motivo temos todos de fazer o mesmo? Por que motivo temos de ser todos iguais, com as mesmas competências nas mesmas áreas? Por que motivo temos todos de gostar das mesmas coisas só porque "é da nossa (...)

Beije! Hoje é o Dia do beijo

13.04.19, Miguel Oliveira
Há dias para tudo, mas o dia de hoje não poderia ser ignorado. 13 de abril (ou 6 de julho) é o dia escolhido para celebrar o mais íntimo dos afetos. Celebra-se o Dia do beijo.  Do latim basium, o ato de beijar presta-se a múltiplos significados, em diferentes contextos e ocasiões. Olhando os remotos tempos romanos, encontramos três tipos de beijos: o basium, trocado entre conhecidos; o osculum, dado apenas a amigos íntimos; e o suavium, o beijo dos amantes. Este último, o dos (...)

Uma princesa que se respeita

12.04.19, Miguel Oliveira
O filme "Soltera Codiciada" termina com o seguinte pensamento: Porque nos ensinaram que somos a princesa da história. Mas a verdade é que também podemos ser a fada-madrinha de uma amiga, se ela precisar de ajuda; o génio da lâmpada quando tentamos corresponder às expectativas de todos; e sobretudo, o nosso príncipe encantado. Porque uma princesa que se respeita, salva-se a si própria. Por culpa da Disney, ou não, corremos atrás de um amor. É imperativo termos alguém ao (...)

Saudade

06.04.19, Miguel Oliveira
Sentimos saudades muitas vezes, de muitas coisas. São saudades de experiências vividas, saudades de pessoas, de locais que nos marcaram. Porém, uma questão se impõe: já alguma vez sentiu saudades suas? Saudades das suas melhores características, da sua melhor gargalhada, do seu olhar mais brilhante? Já alguma vez sentiu saudades de estar feliz apenas por si, por um feito seu? Às vezes perdemo-nos. Perdemo-nos nas obrigações, nas tarefas, nos sonhos, nos medos, nos pensamentos (...)

Abril: libertar

01.04.19, Miguel Oliveira
Abril é mês de liberdade, mais do que em qualquer outro momento, é mês de nos libertarmos de tudo aquilo que nos incomoda, que não nos aquece nem arrefece, que apenas está por estar.  O verbo escolhido, libertar, presta-se a múltiplos significados. Porém, talvez aquele que mais me faz sentido, seja o de libertar tudo aquilo que temos dentro de nós. Libertar o que está por dizer. Dar voz ao que sentimos e muitas vezes fica retido em nós. Que usemos ao máximo a excelente (...)