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Âncora de papel

by Miguel Oliveira

A alimentação que não se vê

04.07.19, Miguel Oliveira

A sociedade tem alterado alguns dos seus hábitos de consumo. Por moda, preocupação ou cuidado com a saúde, a ideia que tenho é que temos vindo a tomar alguma consciência com o que comemos. Preocupamo-nos com o que ingerimos, com o que compramos para fazer as nossas refeições e onde comemos. Mas não somos feitos apenas de um corpo que precisa de alimentação cuidada para existir e funcionar. Somos feitos, também, de uma outra alimentação, de uma outra dimensão. Uma dimensão sem nome, feita de coisas que não se veem, mas que se sentem e se fazem notar. E é dessa que quero falar. 

Quantas vezes nos sentimos leves depois de nos afastarmos de um determinado local?

Quantas vezes a nossa boa disposição é anulada por estarmos perante uma determinada pessoa? 

Quantas vezes nos sentimos em paz, ao deitar, porque conseguimos dar a volta e sair de uma situação que só nos consumia energia e força de viver? 

Todos esses comportamentos são os ingredientes que fazem parte da roda alimentar daquela outra dimensão que falei anteriormente. Chamem-lhe alma, consciência, dimensão espiritual, ou qualquer outra coisa. Importa-me apenas salientar a importância de estarmos despertos para esses ingredientes nefastos, cheios de químicos e riscos para o nosso bem-estar. 

Quando nos damos ao outro, seja em contexto laboral, íntimo, de lazer ou familiar, estamos a partilhar a nossa energia, estamos a dar parte daquilo de que é feito o nosso interior. Ora, se damos de nós e existe uma troca recíproca e saudável, ficamos todos a ganhar e o saldo é positivo; por outro lado, se nos vemos envolvidos com pessoas ou ambientes que nada nos acrescentam e nada de positivo nos oferecem, então estamos somente a ser consumidos pelas más energias que se fazem sentir.

pessoas tóxicas

Se quiserem um exemplo claro, imaginem que são um copo de água, límpida e fresca. Quando nos rodeamos com pessoas com boas energias, rodeamo-nos com outros copos de água, cuja partilha apenas nos acrescenta "quantidade", mas em nada altera a nossa "qualidade" e o nosso aspeto. Porém, se nos permitirmos conviver com ambientes cujos envolvidos são pessoas tóxicas, que vivem centradas na vida dos outros, nos defeitos e nas críticas, estamos a permitir que eles, que funcionam como corantes alimentares, vão contaminando aqui e ali, dia a dia, alterando por completo a nossa aparência. 

Somos feitos de muita coisa, e precisamos de prestar atenção a cada uma delas. Se procuramos alimentar-nos bem, porque sabemos que o que se vê na nossa imagem é o reflexo do nosso interior, então o mesmo deve ser feito com aqueles que nos rodeiam. 

 

convívio com os outros