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Âncora de papel

by Miguel Oliveira

A fórmula da traição

01.07.19, Miguel Oliveira

Um artigo recente, focado nas questões da infidelidade, revela que tanto em homens como em mulheres, as traições ocorrem por carência. É por estarmos carentes dentro da relação que vamos procurar fora aquilo que julgamos fazer-nos falta. 

Assim, e se for possível escrever uma tal fórmula, será esta a fórmula da traição:

 

(- eu) + (- tu) + (- nós) = carência

 

E aqui se encerra muita informação. Não nos sentimos carentes só pelo que o outro não nos dá (ou não sabemos receber o que nos é oferecido). E aqui arrisco-me a dizer que isto é uma verdade, e verdade porque qualquer relação não é só composta pela partilha e pelo outro. É, desde o primeiro momento, também formada pela nossa própria pessoa, pelos nossos sonhos, desejos, vontades, experiências, medos, histórias e ambições. Por algum motivo se diz que "fizeram as malas e foram viver juntos". E as malas levam bem mais do que roupa e pertences pessoais! E se não nos esquecemos disto nunca, durante a fase da paixão e do encantamento, em que partilhamos o que nos move, o que queremos, em que nos damos a conhecer e vibramos quando nos escutam, aceitam e acolhem, depois de comprado o voucher de namoro, esquecemo-nos dos termos e condições da viagem.  

Não estaremos nós, antes de chegarmos ao outro, carentes connosco? Não nos estaremos a faltar antes dos outros nos faltarem? E digo isto por um simples motivo: somos insatisfeitos e quando sentimos que nos falta algo, procuramos. Porque quando olhamos por nós, olhamos pelo que queremos e pelo o que não queremos; olhamos pelo que nos faz bem e mal; olhamos para onde estamos e para onde gostávamos de estar; pensamos no que temos e no que queríamos alcançar. E aqui está a consciência de nós, do nosso momento, do que somos. 

saber de mim

Talvez por isso afirme que nos falta consciência. Consciência de nós, enquanto pessoas, e de um qualquer compromisso que tenha sido feito - e sim, os compromissos têm sempre dois lados. Falta-nos consciência, porque conscientes, somos proativos. E sendo proativos, damos de nós, fazemos por nós, fazemos pelo momento, seja qual for a circunstância em que nos encontramos. E dois proativos, comunicam, lutam por si e pelo que construíram; dois proativos cuidam-se individualmente, e bem cuidados, estão disponíveis para cuidar o outro.

Tudo começa em nós. Tudo acontece de dentro para fora. E mesmo quando algo acontece de forma contrária, só dura até ao dia em que nos apercebemos que temos de inverter a ordem dos acontecimentos. 

Sendo mais, faz-se mais; fazendo-se mais, é-se mais!

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