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Âncora de papel

by Miguel Oliveira

À procura do amor

15.01.19, Miguel Oliveira

Ao contrário de muita gente da minha idade, eu continuo a gostar de ver televisão e televisão portuguesa, na sua maioria. Cresci com ela e habituei-me a ocupar os serões com a sua companhia.

Uma das coisas que me cativa na televisão, à semelhança dos demais meios de comunicação, é o seu poder de entrar pela nossa casa e de nos trazer mensagens, de nos fazer parar para escutar o que nos é dito.

Nunca como agora vi tantos programas de amor, de procura de um(a) parceiro(a), de uma cara metade. Em Portugal, realizado com portugueses, temos  quatro recentes exemplos disso mesmo: Love on Top (TVI, que vai na sua décima edição); Casados à Primeira Vista (SIC, 2018); O Carro do Amor (SIC, 2019) e First Dates (TVI, 2019). À exceção do primeiro, do qual não sou fã devido aos concorrentes escolhidos e à dinâmica que dão ao programa que, a meu ver, nada tem a ver com a procura de uma cara metade e em muito se afasta da dinâmica original do formato, os outros três programas dizem-me muito.

São pessoas, de diferentes idades e com variadíssimos percursos pessoais que querem encontrar alguém especial. É a única coisa que os motiva e afirmam-no sem problemas, que é o que mais admiro. Chegam às cegas, sem ideia alguma daquilo que poderão encontrar, mas com uma certeza: querem gostar, reconhecem que merecem ser gostados e, acima de tudo, estão a entrar num desafio para partilhar momentos de felicidade. Dali em diante vive-se uma aventura. Uns casam, outros fazem uma viagem de carro e há quem se fique por um jantar, mais ou menos animado, mais ou menos demorado. Mas estão ali, a partilhar experiências, a partilhar receios, mágoas e inseguranças, a dividir um espaço e, quando as coisas correm bem, a multiplicar sorrisos.

Paralelamente ao que aquelas duas pessoas estão a viver, em casa, os telespectadores recebem exemplos de coragem, de esperança, de espírito livre, de situações falhadas, de comunicações nem sempre funcionais, de momentos infelizes. Mas tudo é útil, porque todos somos também aquilo que estamos a ver e nem sempre nos conseguimos escutar e observar em relação com alguém. Seja como for, há uma coisa a salientar: o amor tem valor, não tem idade, não se subjuga a ideologias e chega a todas as casas, como algo apetecível e merecido. Há coisa mais bonita do que procurar o amor?