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Âncora de papel

by Miguel Oliveira

À superfície

16.11.18, Miguel Oliveira

Vivemos numa sociedade sem tempo, onde as horas são reféns das obrigações e não nos sobra tempo para nos olharmos, para nos escutarmos, para sermos aquilo que deveríamos ser: mais humanos. 

Quantas vezes, na azáfama do dia a dia, nos vamos distanciando daqueles que em tempos nos foram próximos? Quantas vezes já nos aconteceu cruzarmo-nos com alguém que não víamos há algum tempo e o nosso primeiro impulso é perguntar como está a sua vida? Se já namora ou casou, se já saiu de casa dos pais ou se tem filhos, se já comprou ou concretizou aquela ideia que tinha em mente da última vez que a vimos? Voltamo-nos para fora, para as conquistas, para os desafios, mas não lhe perguntamos se está bem, como se sente, se anda feliz, se está satisfeita com a sua vida, se precisa de falar sobre alguma coisa.

Sim, essa pessoa pode até já estar numa relação, mas está bem? Sente-se amada e está feliz?

Sim, conseguiu concluir o curso ou foi promovida, mas como se sente no novo cargo? Foi uma mudança positiva ou foi um virar de página acompanhado de sentimentos menos positivos?

Temos de desenvolver esta nossa forma de abordar os outros, de nos fazermos chegar e demonstrar interesse genuíno pela pessoa, pelo seu bem estar e pela sua tranquilidade. Talvez gostássemos que fizessem o mesmo por nós...