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Âncora de papel

by Miguel Oliveira

À velocidade de um fósforo

20.11.18, Miguel Oliveira

Queremos tudo, achamos que temos o direito a tudo e abraçamos tudo antes que tudo acabe. Se há algum mal? Penso que não, pelo menos até certo ponto. Afinal, só temos esta vida e é com ambição e sonhos que nos descobrimos e evoluímos. O problema é quando essa ânsia e rapidez se instala na nossa vida e passamos a viver num fragmento de segundo. Tudo é vivido à velocidade de um fósforo, um countdown semelhante ao dos Insta Stories que nos invadem e acompanham o dia a dia. 

Conhecemos alguém e algo surge entre ambos. Tudo é combustão, só comparável à chama intensa e luminosa que surge quando se passa um fósforo na faixa rugosa da sua caixa. É calor, é brilho, é uma magia que nos invade o olhar e nos prende fixamente. Com o tempo, não muito tempo, essa magia vai passando e a chama vai ficando cada vez mais fraca, deixando para trás um passado recente. A memória de um ontem vivo e ardente, dá lugar a um agora que se vislumbra sombrio e solitário, culpa das relações descartáveis e momentâneas que hoje se procuram e cultivam. E não falo apenas de relações amorosas. As relações de “amizade” hoje em dia seguem o mesmo padrão: muita cumplicidade, muita alegria, muitos planos e, do dia para a noite, tudo desaparece, ora porque há outros planos e interesses ora porque outros encontros e necessidades se atravessam no caminho de uma ou ambas as partes. Mas porquê? Por que é que nos cansamos uns dos outros? Por que motivo não dedicamos tempo a quem nos rodeia, a quem já entrou nas nossas vidas? De onde vem tanta falta de sentimento e de envolvimento? De onde vem tanto medo de gostar e ser gostado? 

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