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Âncora de papel

by Miguel Oliveira

A vida num novelo

09.11.18, Miguel Oliveira

Imaginem dois novelos de lã, perfeitamente enrolados. Um deles, pensem-no com cores alegres, cores vivas e que vos transmita coisas positivas. O outro, imaginem-no com tons mais tristes. O primeiro, o das cores garridas e positivas, é o novelo do amor. O outro, carrancudo e cinzentão, é o novelo do medo. Esta analogia surgiu-me depois de me cruzar com uma citação de um livro que dizia algo do género: o ser humano é norteado apenas por dois marcos - o amor e o medo. É cada um deles que norteia a nossa conduta, que nos faz avançar ou ficar paralisados, que nos faz envolver ou afastarmo-nos de determinada tarefa ou acontecimento.

Quando li esta afirmação parei. Quis pensar se realmente poderíamos descrever todo o nosso comportamento de um modo aparentemente tão simples e linear. Ou era uma coisa ou era outra. O que concluí? Que sim, perante qualquer situação ou é o amor ou o medo que nos faz tomar a decisão, e foi aí que surgiram os dois novelos. No entanto, nada existe só porque sim nem é o que é de forma isolada, então "amor" e "medo" são muito mais do que apenas "amor" e "medo". 

Pegando no novelo do amor e começando a desfazer a sua forma esférica encontro alegria, entusiasmo, prazer, excitação, admiração, coragem, esperança, conforto, amizade, superação, motivação. Por outro lado, ao pegar na ponta do novelo do medo, à medida que o vou desenrolando surgem os seus elementos: ansiedade, desânimo, falha, culpa, solidão, desconhecido, arrependimento, inseguranças. 

É assim que nós vivemos, é com base nestes elementos e nas experiências anteriores que avançamos ou ficamos parados, que nos entregamos a algo que nos apaixona, que nos dá motivação e prazer, ou que com medo de falhar, de não ser capaz ou de nos arrependermos, ficamos no mesmo sítio, da mesma forma, sem nenhum acrescento. Então, a vida pode estar num novelo, tudo depende de qual escolhemos e de que elementos queremos fazer a nossa história.