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Âncora de papel

by Miguel Oliveira

Amor. O verdadeiro amor

28.08.18, Miguel Oliveira

Amavam-se. Não havia qualquer dúvida disso.

Para eles o amor era aquilo que tinham: a confiança um no outro, a certeza e segurança de poderem contar um com o outro para tudo, em qualquer momento, para qualquer situação; o abraço dado de forma genuína e intensa, onde o corpo acalmava e uma certeza de dias melhores surgia inesperadamente; os olhares que falavam e sorriam, não sendo preciso nada mais; os beijos que sabiam melhor do que quaisquer outros, assim como as brincadeiras que tinham, tão simples e tão deles; os corpos que se encaixavam e fundiam na perfeição, como se tivessem sido talhados a partir da mesma peça da matéria de que eram feitos.

Era a mesma concepção de amor que os movia, que os fazia querer ir mais longe, acreditando que ao lado um do outro tudo se tornava mais fácil. Sabiam o que queriam e era ao lado um do outro que desejavam alcançar cada objetivo. Tinham tudo isso, mas não era um amor perfeito. Não os há e eles sabiam bem disso. Conheciam os defeitos um do outro, as suas imperfeições e as suas luas, mas isso não esmorecia o que os unia. Aceitavam-se, compreendiam-se e tinham a perfeita noção de que não eram os mesmos sem os seus defeitos.

O amor deles estava num outro nível, sabendo que os príncipes e princesas só existem nos livros infantis. Aceitavam as rabugens da manhã, o cabelo desgrenhado, aquele pijama velho que teimamos em não deitar fora, o mau humor de uma semana frenética e extenuante, as falhas e as teimosias. Sabiam que não há rosas sem espinhos e era assim que eram felizes.

Eram detentores de tudo isto, mas não podiam ficar juntos. Por mais que tentassem, por mais que avaliassem tudo na sua vida, por mais que nada mudasse ao longo dos anos que foram partilhando, não conseguiam ficar juntos. Pela milésima vez decidiram seguir caminhos diferentes, num olhar triste, de alguém que perde tudo o que sempre desejou, de alguém que se separa de algo que nunca mais encontrará, pelo menos de uma forma tão simples, tão magnetizante, tão especial. Com a boca seca, olhar desvanecido e corpo gelado lá o fizeram, como um ritual que se vinha a repetir há já vários anos: adeus...

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