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Âncora de papel

by Miguel Oliveira

Amor, uma arte abstrata

29.04.19, Miguel Oliveira

Há dias, falava com um amigo sobre relações e o impacto que uma relação que não foi aquilo que esperávamos pode ter em nós e na nossa capacidade de considerar futuros envolvimentos amorosos.

A ideia de que nem tudo é cor de rosa, de que demos mais do que aquilo que recebemos e a destruição de sonhos vividos a dois são algumas das consequências de uma relação que "correu mal". Mas a consciência de que nem tudo é cor de rosa é bom. Ficamos cientes dos dois lados que coabitam nas relações, ao mesmo tempo que ficamos despertos para a necessidade de valorizar os bons momentos, de investir e intensificar aquilo que se vive. E uma má relação não tem de apagar o poder do amor, do conforto, da vivência boa ao lado de alguém.

Às vezes acho que olhamos para o amor como algo estático, passível de ter apenas uma forma, como se fosse um pacote de arroz, por exemplo, sempre igual, com o mesmo peso, as mesmas medidas, os mesmos contornos, o mesmo conteúdo. E quando algo corre fora daquilo que esperávamos, achamos que a visão está distorcida e perdemos a vontade de amar, de imaginar uma vida a dois, de nos envolvermos na mais rica das aventuras. Porém, o amor é tudo menos algo estanque e de medidas definidas. O amor é feito por duas pessoas (ou mais, nos casos poliamorosos), que têm as suas histórias, têm a sua personalidade, estão em determinada fase das suas vidas, já viveram coisas diferentes e procuram coisas diferentes. É natural que não haja sintonia em tudo. Se ganharmos esta consciência, conseguimos procurar coisas boas! 

No fundo, o amor é uma arte abstrata: arte por tudo aquilo que o compõe, pela riqueza, pelo engenho, pela magia, pelas sensações que provoca; abstrata pela falta de traço firme e entendimento imediato. É co-construído, repleto de singularidades. É como as peças únicas, impossíveis de fazer duas iguais.