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Âncora de papel

by Miguel Oliveira

Ao meu amor

27.04.19, Miguel Oliveira

Às vezes surges em conversa, sempre que se fala em histórias de amor e de paixões. És o maior e mais recente exemplo de uma história de amor, da minha história de amor. Satisfeita a curiosidade sobre a relação e o seu fim, surge sempre a inevitável pergunta: "Ainda se dão?". A minha resposta: "Claro! Somos grandes amigos. É o meu melhor amigo!". E como é que não poderias ser o meu melhor amigo?

Ao longo da nossa relação, uma relação que se foi construindo com pezinhos de lã, fomos descobrindo as camadas um do outro. Fomos dando mais a cada dia, fomo-nos desconstruindo de medos e vergonhas, para construir algo de verdade, assente na sinceridade e na amizade. Ao longo do tempo, foste conhecendo o melhor de mim, o meu lado mais carinhoso e apaixonado, mais louco e erótico, mais doce e preocupado. Porém, nessa troca que se procura ser equilibrada, viste o meu lado mais ciumento e parvo, mais agressivo e pouco racional. Fomo-nos vendo bonitos e sem banho tomado, doces e agressivos, na mais bela das noites da amor e na mais pura e violenta discussão. Tudo fez parte. Por isso, e porque sempre nos fomos aceitando e procurando compreender as palavras e os atos um do outro, como é que não poderias ser o meu melhor amigo? Ninguém conhece os meus extremos como tu, nunca ninguém me viu da forma como tu me viste, e com tudo o que de bom e de mau nos foi acontecendo, continuámos ao lado um do outro, mesmo quatro anos depois do fim da relação. Como não ser amigo de uma pessoa que nos aceita com o melhor e com o pior? Como não permanecer na vida de uma pessoa que algum dia já foi a mais especial de todas? Isto é amizade! 

Por tudo isto é que acredito que o que acaba com o fim de uma relação é o vínculo relacional. O amor, essa entidade gigante e imensurável, continua para a vida. Uma vez amor, amor para sempre. Pode ser um amor diferente. Pode ter outros contornos e representar um peso diferente na minha vida, mas amo-te, como se ama o melhor amigo. Se fosse pequenino e me pedissem um desenho sobre o nosso sentimento, faria igualmente um coração, bem grande. Porém, em vez de estares no centro do meu coração, estavas no cantinho das pessoas especiais! 

E sim, acredito na amizade depois do namoro. Sim, acredito que se uma pessoa já foi a mais especial de todas, pode continuar a ser especial para a vida toda. Sim, com o devido tempo e espaço, podemos falar sobre tudo, mesmo que seja de novas paixões e envolvimentos sexuais. E porquê? Porque a premissa de uma relação amorosa é a nossa felicidade pelo bem estar do outro. E se já fomos a maior preocupação um do outro, então vou continuar a querer que estejas sempre bem, feliz e a sorrir. E não importa que o sorriso apaixonado já não seja para mim. Importa que alguém que faça sorrir dessa forma e que eu te possa abraçar para congratular esse teu estado de felicidade! 

A ti, meu eterno amor, um beijinho, meu melhor amigo! 

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