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Âncora de papel

by Miguel Oliveira

Atração: uma paleta de cores

21.04.19, Miguel Oliveira

Todos os dias nos cruzamos com imensas pessoas. Porém, há dias em que nos cruzamos com alguém que mexe connosco, alguém portador de um qualquer magnetismo que nos prende a ela horas sem fim. Chamamos-lhe atração, dizemos que temos borboletas na barriga e suspiramos sem fim, a olhar o vazio, com um sorriso ingénuo e sincero. É isto que vem com a paixão, que vem com a atração por alguém. 

Mas por que é que umas pessoas nos chamam à atenção e outras nada nos dizem? Por que é que umas nos agarram como se tivessem um íman e outras passam despercebidas? Será o seu cheiro? O seu corpo? O sorriso ou o andar?

Muitas (e variadas) são as características que nos levam a sentirmo-nos atraídos por uma pessoa, e de todas as pessoas que vamos conhecendo, não nos atraímos sempre pelas mesmas características. Se cada pessoa está repleta de singularidades, no Manel posso gostar do sorriso alinhado e brilhante, na Maria das suas curvas, no Zé das suas pernas arqueadas e na Amélia das suas mãos finas e sempre bonitas. E se só falo em traços físicos, por algum motivo é. É porque reduzimos a atração ao físico, ao corpo, à imagem e vendemos sonhos cheios de ar e ilusão.

Não acredito em corpos atraentes e corpos não atraentes. Não acredito em corpos de revista que façam suspirar qualquer pessoa, da mesma forma e com a mesma intensidade. Isso não interessa. Na verdade, não é o corpo que interessa. O que realmente importa é o efeito que cada corpo tem em nós. Não é por aquele corpo não nos despertar interesse que se trata de um mau corpo, desprovido de charme e sedução. Apenas não nos diz nada. Acredito que 80 a 90% das pessoas escolham um “bom corpo” como um corpo definido, onde as formas de glúteos e mamas nas mulheres, ou braços e peitorais nos homens estão em destaque. Porém, não temos de gostar todos do mesmo e, mais importante do que isso, não gostamos todos do mesmo! 

Se nascemos com uma fisionomia, com um "tipo de corpo", é esse que devemos explorar. É esse que devemos tratar e alimentar da melhor forma que conseguirmos, para que nos sintamos bem nele e, só depois, usá-lo como complemento à arte de sedução. 

Passamos muito tempo a olhar o outro, como se andássemos todos com um espelho de corpo inteiro ao nosso lado, a olhar para nós e para "a perfeição". Culpamo-nos. Crucificamo-nos. Julgamo-nos em vão. Talvez seja importante que nos aceitemos mais, que nos exploremos mais em vez de nos maltratarmos. Talvez seja importante sermos mais sensíveis e mostrarmos que na paleta de cores que é a arte de sedução, há mais do que o preto ("corpo não atraente") e o branco ("corpo atraente"). Há tons de cinza ("o corpo que me atrai"), há laranjas e amarelos (traços de personalidade), azuis e verdes (formas de estar na vida), roxos e cremes (interesses e sonhos), e tantos, tantos outros tons que vão além do físico e que nos atraem tão fortemente. 

Somos mais do que um corpo. E quem não entender isso, talvez só tenha mesmo o corpo para oferecer a alguém.