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Âncora de papel

by Miguel Oliveira

"E se fosse consigo?"

16.05.19, Miguel Oliveira

Considero-me uma pessoa curiosa. Gosto de questionar, de perguntar como e porquê, de saber o que está na origem das coisas. Gosto de ver como já fomos e como chegámos ao que somos hoje. Porém, também gosto de saber como estamos hoje, porque agimos desta ou daquela forma, com esta ou aquela ideia. E é por isso, à semelhança do que já disse noutros posts do blog, como na Sexualidade casa adentro ou no Menu repleto de ingredientes extra, que gosto de lançar questões, que se fale abertamente sobre as coisas para que as consigamos limpar de teias e mitos, para que se possa falar delas sem ser em tom jocoso ou baixinho. 

"E se fosse consigo?" é um bom exemplo disso. Vai na sua terceira temporada, na SIC, e coloca-nos em situações reais, em contexto real, e com a real noção daquilo que é a nossa sociedade. 

Já se falou de racismo, de violência no namoro, de homossexualidade, homoparentalidade e homofobia, do peso da imagem, de assédio e descriminação da pessoa com deficiência, por exemplo. Esta semana foi tempo de dar voz às ideias erradas sobre o HIV e a SIDA. 

São sempre temas atuais, não porque são "moda" ou porque os media resolvem insistir neles, mas porque acontecem todos os dias, em todos os estratos sociais e que nos envolvem a todos nós. E envolvem porque fazemos pouco por eles. Envolvem porque continuamos desinformados ou desatualizados. A base do preconceito é a falta de informação, são os pré-conceitos que temos sobre os temas e que assumimos como verdadeiros, porque se ouviu aqui ou ali. É preciso ir mais fundo nas questões, procurar saber mais, procurar questionar, ouvir e contactar com as situações. Não nos podemos ficar pelo diz que disse ou reféns desta ou daquela situação que vimos e generalizamos. A realidade é complexa, sempre multifatorial e há sempre, mas sempre, bem mais do que aquilo que eventualmente podemos presenciar. 

É por isso que gosto destes programas, que dão nomes às coisas, que procuram saber o que se pensa e como se pensa. Questiona, investiga e clarifica. Precisamos de mentes clarificadas, desempoeiradas e livres, porque hoje pode ser com alguém, mas amanhã pode ser consigo!