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Âncora de papel

by Miguel Oliveira

E se não houvesse espelhos?

14.06.19, Miguel Oliveira

Nas ruas, nos locais públicos ou em casa, há sempre onde possamos ver o nosso reflexo. Seja em espelhos, montras, janelas ou portas envidraçadas, lá estamos nós refletidos. Há quem os adore, quem os odeie e quem lhe conceda a importância necessária para as tarefas do dia a dia. Porém, e porque os assumimos como fazendo parte da nossa rotina, já pensou como seria se não houvesse espelhos? 

Na era do narcisismo digital, como alguns lhe chamam, como seria se, de repente, não nos víssemos a toda a hora? Como seria a interação com os outros? Como seria a relação com nós próprios?

Óbvio que isto são especulações e ignorar algo que existe não é um trabalho fácil de concretizar, mas acredito que nos aproximasse e humanizasse.

Por um lado, ficaríamos despertos para o que se passa à nossa volta. Estaríamos atentos ao que nos rodeia, a quem nos rodeia e à forma como essa pessoa se encontra. Passaríamos a ver pessoas em vez de máscaras e capas de livros que julgamos de imediato. Com isto, daríamos real sentido à noção de humanidade. Por outro, e em consequência do primeiro, ficaríamos mais próximos dos que nos rodeiam. Seríamos os olhos uns dos outros, estaríamos atentos à beleza natural, focados na interação e centrados num todo. Acredito que poderíamos descobrir novos pontos de interesse na outra pessoa, no que ela tem para nos oferecer além da sua imagem, filtrada e manipulada. Aprenderíamos a dar um elogio genuíno com a mesma rapidez com que tecemos uma crítica, hoje em dia. E se isto se passa com os outros, também em nós haveria mudanças. Aos poucos, começaríamos o verdadeiro trabalho de conhecimento pessoal. De dentro para fora, iríamos descobrir de que massa somos feitos, o que há de bonito em nós, o que existe de menos bom e que também faz parte. Na impossibilidade de nos mascararmos com filtros, seríamos confrontados com a necessidade de lidarmos com tudo aquilo que temos, porque haveria tempo, porque o escape que hoje existe não estaria ao nosso alcance. Sim, poderia existir um milhão de outros escapes, mas quando olhamos além de nós, ficamos diferentes. 

No fundo, se não houvesse espelhos, seríamos todos mais bonitos!

sem_espelhos

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