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Âncora de papel

by Miguel Oliveira

Estranha forma de ser

06.10.18, Miguel Oliveira

À medida que o tempo passa fico mais convencido de que somos seres estranhos, seres com uma estranha forma de viver. Só quando temos uma doença grave é que começamos a dar valor à nossa saúde e às pequenas coisas que nos rodeiam, antes ignoradas e trocadas por tantas outras coisas sem grande importância; quem adora adrenalina e andar no limite, só quando tem um susto valente é que pondera a sua atitude para que consiga viver mais tempo; só quando nos magoam emocionalmente (e acrescentando um pouco de sensatez) é que olhamos para aquilo que fazemos e para a forma como nos relacionamos daí em diante; só quando passamos por um momento de crise ou dificuldade financeira é que começamos a olhar para os gastos e a diferenciar aquilo que é essencial do que é supérfluo. Estes são apenas alguns exemplos da nossa forma de estar na vida, vida essa que começa sem nada e onde o nosso choro, sinal de saúde e bem estar, é motivo de festa para a equipa médica que assiste ao nosso nascimento. 

Vivemos sem prestar atenção ao que recebemos, ao pouco que damos e ao ínfimo que valorizamos. Damos tudo por garantido até que nos falte ou que nos seja pregada uma partida.

Isabel Allende diz que "temos dentro de nós uma reserva insuspeita de força que surge quando a vida nos põe à prova", o que concordo, mas se assim é, se conseguimos mudar a nossa forma de estar na vida quando algo nos corre mal, por que razão não vivemos de uma outra forma? Por que razão precisamos que o elástico quase quebre para prestarmos atenção ao uso que fazemos dele? Não seria mais proveitoso e gratificante vivermos com mais consciência, de uma forma mais sensata e respeitosa, para connosco e para com os que nos rodeiam? 

 

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