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Âncora de papel

by Miguel Oliveira

Festinhas para homens de barba rija

06.06.19, Miguel Oliveira

barba rija

Uso barba, mas sempre a aparei e desfiz em casa. Porém, e pela primeira vez, hoje tive oportunidade de ir a uma barbearia, daquelas barbearias modernas que se instalaram nas cidades. 

Adorei o atendimento, a atenção e o trabalho. Foi, de facto, uma boa experiência. Mas não é sobre ela que quero falar. 

Estava eu recostado na cadeira do barbeiro, já no fim do serviço, de cara tapada com uma toalha humedecida, quando o senhor que me estava a atender me coloca o after shave na cara. Com pele macia e mãos delicadas, aplicou-me o produto no rosto, em movimentos suaves. No fundo, fez-me festinhas na cara. Eu, amante de mimos e cuidados, adorei! Mas enquanto recebia aquela massagem final, pensei nos homens de barba rija a levarem tal tratamento. Eu, por mim, adoro mimos e ter um homem a fazer-me festas na barba ou na cara não é novidade. Mas deve haver aí muita gente avessa a tais demonstrações, ou pelo menos assim o expressam em relação aos outros.

Continuo a ter para mim que a questão do preconceito tem por base o desconhecimento, a desinformação e a ideia que se faz sobre interações físicas e sexuais. O amor, o sentimento, esse não se mede nem é visível e, portanto, não importa. Agora, imaginar dois homens ou duas mulheres a tocarem-se, a ter sexo, isso sim é assunto e gera opiniões formadas. 

Naquela posição, apenas pensei na mudança dos tempos. Lembrei-me como seria um homem de barba rija a levar festinhas na cara de outro homem. De fora, estamos a ver dois homens a tocarem-se, ou um funcionário e um cliente? Usam-se dois pesos e duas medidas? 

Apenas uma palavra: aceitação. Dá menos trabalho. Gera menos conflitos e fica tudo feliz! 

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