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Âncora de papel

by Miguel Oliveira

Fragmentos

04.10.18, Miguel Oliveira

Durante muito tempo fui alguém que se preocupava somente com o futuro. Pensava só no amanhã, de como e quando chegaria, o que me iria trazer, onde iria estar, como me iria sentir. Vivia desmesuradamente uma realidade que não é possível viver porque nada mais temos do que aquilo que somos a cada segundo. Com o tempo, e desiludido por esperar por um amanhã que nunca chegava como ansiava, fui aprendendo a viver o presente, a aceitar o passado e a ter esperança no futuro, mas um futuro que acredito que me trará coisas boas para viver e sentir, e não como uma realidade para onde quero dar o salto neste momento. Aprendi, na minha ótica da coisa, a viver o momento. E porquê na minha ótica? Porque acredito que hoje em dia se vive essa ideia de uma forma exagerada. Olho à volta e as pessoas querem viver o momento, mas como se não houvesse amanhã. Querem viver tudo hoje, experienciar tudo e mais alguma coisa, viver no limite, tudo porque a grande máxima é “só temos esta vida. Se não viver agora, já não vivo”. Não tenho nada contra essa ideia de vivermos as coisas intensamente porque, de facto, só temos esta vida e não sabemos quando acaba. Porém, acho que é tudo muito desmedido. Eu posso viver o momento, entregar-me a ele e tirar tudo o que ele tem de bom, se o momento me disser algo, se me acrescentar alguma coisa, se me fizer feliz, se me preencher. Esta é a minha ótica, e não viver o momento como seres autómatos, que apenas estão ali e vão atrás de tudo o que lhes surge “porque é o momento”.

Acredito que nos devemos conhecer, saber o que somos, o que queremos e o que valorizamos para, aí sim, viver os momentos ao máximo, mas apenas aqueles que nos fazem sentido, que vão de encontro à nossa pessoa, aos nossos objetivos, porque depois de todos os momentos, é connosco que ficamos, quando tudo se apaga e tudo à nossa volta vira silêncio. E depois? Como nos vamos sentir se fizermos algo de forma inconsequente, inconsistente com os nossos valores?

Acredito que vivo o momento, mas para a minha vida ser um conjunto de momentos especiais, onde me revejo e fico confortável com isso, e não um conjunto de momentos fragmentados, que substância alguma me acrescentam. Vivo os momentos para ter história e não para ter momentos. 

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