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Âncora de papel

by Miguel Oliveira

Individualidade vs. coletividade

19.04.19, Miguel Oliveira

Sou, por natureza, muito observador. Em grupo, sou sempre o que fala em último. Num jantar de amigos, sou o que fala com este ou aquele individualmente, e raramente me expresso para o grupo. Essa é uma característica que gostava de mudar, por vezes. No entanto, depois penso: por que motivo temos todos de fazer o mesmo? Por que motivo temos de ser todos iguais, com as mesmas competências nas mesmas áreas? Por que motivo temos todos de gostar das mesmas coisas só porque "é da nossa área"? 

Até certo ponto, consigo entender que haja "coisas básicas" que todos devemos conseguir fazer. Escrever de forma correta, conseguir falar em público de forma coerente e interagir socialmente de forma adequada parece-me aceitável. Somos seres sociais, precisamos indiscutivelmente de nos expressar e de interagir com os que nos rodeiam, mas não temos todos de ser grandes oradores; não temos todos de ser grandes escritores de best sellers nem seguirmos o mesmo caminho dos demais.

Às vezes fico com a sensação de que existe alguma pressão para sermos todos iguais, de mudarmos as nossas características para que cheguemos a determinado ponto, em vez de olharem para nós pelo que somos, pelo que temos para dar. Há momentos em que sinto que procuram mais as minhas diferenças, aquilo "que me falta", do que procuram aquilo que eu realmente tenho ou sou. Às vezes, fico com a ideia de que somos obrigados a ignorar a nossa individualidade para sermos inseridos na coletividade. 

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