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Âncora de papel

by Miguel Oliveira

Lembranças

28.11.18, Miguel Oliveira

Vejo-me como alguém romântico, dedicado, que procura valorizar as pequenas coisas, enaltecendo-lhes o valor e não o seu custo. Não sou de dar prendas, nunca fui. Prefiro pequenos miminhos, algo simbólico feito por mim, onde esteja espelhado um pouco do que aquela pessoa significa para mim. Acho mais pessoal e representativo da união que existe entre as pessoas, muito mais do que um qualquer bem que qualquer pessoa poderia comprar. No entanto, houve alturas em que me senti um ser à parte, alguém que tinha umas ideias diferentes, gostos estranhos e pouco entendidos. Mas a vida fez-me manter a minha visão e tem-me trazido pessoas com os mesmos "gostos estranhos". 

Nestas pequenas coisas, onde podem estar cartas, bilhetes deixados propositadamente em determinado sítio, fotografias com um beijinho ou uma mensagem enviada só para dizer algo sentido a alguém, há sentimento, há entrega, há dedicação.

Nas épocas festivas, altura eleita para demonstrar afetos, tendemos a querer impressionar, dar algo bom, quanto mais caro melhor porque só assim demonstramos o quanto aquela pessoa significa para nós. Nada contra isto, mas a minha filosofia e a minha conta bancária encaram isto de forma diferente. Por que é que não nos contentamos com um postal? Por que é que menosprezamos um "simples" porta chaves? Por que é que recebemos com um sorriso amarelo aquela moldura com uma fotografia ou aquela caixa de cartão repleta de recordações daqueles momentos vividos a dois? Porque custou pouco? Porque não é digno de ser partilhado e apresentado aos outros, com a mesma felicidade de quem recebe um iPhone ou uma câmara fotográfica acabada de lançar? Quando nos dão essas coisas "simples", esquecemo-nos de que aquela pessoa, com o muito ou o pouco que tem, disponibilizou-se a partilhá-lo connosco, dedicou-nos parte do seu tempo para nos fazer algo diferente, para nos presentear com um gesto carinhoso.

Mais do que nunca, acho que devemos ter atenção às lentes que usamos para encarar a vida, para encarar os que nos rodeiam e aprendermos a ser mais gratos. Gratidão, precisamos de mais gratidão!

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