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ÂNCORA DE PAPEL

ÂNCORA DE PAPEL

Onde estão as pernas do nosso corpo?

Mindful

Andamos sempre a correr e, na maioria das vezes, corre mais a nossa cabeça que o nosso corpo. 

Na viagem para o trabalho, onde estamos com a cabeça? Na discussão do dia anterior, no problema que ficou por falar ou nas tarefas que nos aguardam para realizar, por exemplo. 

Na viagem para casa, quão longe anda a nossa cabeça? Vai nas tarefas de casa, na lista de compras do supermercado ou no fim de semana que queremos que chegue? 

Numa viagem, mesmo de passeio, por onde andamos? A pensar na paragem de destino, nos locais que vamos visitar ou nas coisas que vamos fazer?

Nestas ou noutras situações do nosso dia a dia, a nossa cabeça está sempre onde está o nosso corpo? De todas as atividades que realizamos, quantas vezes estamos conscientes e focados naquilo que estamos a fazer? Poucas! Muito poucas!! Andamos sempre no passado ou no futuro, sejam eles mais ou menos longínquos, e raramente estamos onde realmente estamos. 

Prestamos atenção a novas tarefas, para que as consigamos realizar, mas quando se tornam tarefas mecânicas, que poderíamos fazer quase de olhos fechados, rapidamente nos afastamos do nosso corpo. 

Quantas vezes, enquanto lavamos a louça do jantar, por exemplo, estamos focados na tarefa? Quantas vezes prestamos atenção à forma como os nossos dedos seguram a louça? Quantas vezes sentimos a temperatura da água nas mãos? Com que frequência sentimos a envolvência da espuma? Quando foi a última vez que sentiu o aroma do detergente da louça? É um exemplo simples, mas de uma tarefa que virou rotina e sobre a qual não prestamos atenção alguma. 

Estarmos despertos e sensíveis ao momento presente não é algo inato, sobretudo pela correria que o dia a dia exige, mas é algo que pode ser aprendido. Podemos começar nas tarefas mais simples que, curiosamente, são aquelas em que desviamos logo a atenção para o ontem ou para o amanhã. 

Somos um ser sensitivo. Temos cinco sentidos e um corpo inteiro que deteta tudo aquilo nos rodeia. Temos cheiros no ar, oscilações de temperatura, posições corporais, pulsações no corpo, paisagens que nos circundam, etc. No fundo, é como se tivéssemos todas as capacidades de que necessitamos e não lhe déssemos o devido uso, não retirando todos os benefícios daquilo que nós próprios temos para nos oferecer. 

Uma forma simples de experienciar esta capacidade: em pé ou sentado, onde estão as pernas do nosso corpo? Em que posição? Os pés estão confortáveis? Quentes, frios, apertados?

4 comentários

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    Miguel Oliveira 23.07.2019

    Partilhamos a mesma expressão. É isso mesmo. E porquê? Por que não nos dedicamos ao momento e a tudo o que ele nos pode dar? Se temos as capacidades, por que não as aproveitamos?
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    Luísa de Sousa 23.07.2019

    Acho que já nos habituamos a andar assim mecanizados!!!
    Tudo à pressa, a correr, fazer as coisa de forma automática sem pensar e acabamos por perder o controlo sobre as nossas acções!!!
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    Miguel Oliveira 23.07.2019

    Sim, talvez... mas não perdemos só o controlo sobre as ações. Perdemos contacto com coisas importantes, "perdemos" um pouco a capacidade de sentir e de estar atento às coisas que nos poderiam serenar e enriquecer.
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