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Âncora de papel

by Miguel Oliveira

Opostos ou Iguais? Equilibrados!

24.04.19, Miguel Oliveira

Diz o povo que os opostos se atraem. Em certa medida até posso concordar, mas não me parece que o mesmo dito popular possa ser aplicado a uma relação duradoura. Porém, duas pessoas iguais também não me parece que seja a melhor combinação para uma relação se desenvolver e perdurar. Nem opostos nem iguais. O ideal? O equilíbrio! 

Não podemos ter duas pessoas tão iguais que se fundam uma na outra, nem tão distantes que se percam no espaço que existe entre elas. Precisamos, em vez destes casos extremados, de um meio termo.

Obviamente que têm de haver traços comuns. Destes, podemos falar em gostos, valores, formas de estar na vida, objetivos ou até sonhos de vida. Tem que existir algo que una as duas pessoas, que as atraia de forma a que algo maior possa ser construído. E destas parecenças, surgirá compreensão, respeito, partilha e companheirismo. Só existindo algo em comum, é que o outro conseguirá colocar-se no lugar do(a) amado(a). Mas não é tudo. Precisamos de diferenças. E essas diferenças, ainda que subtis, têm de existir. E têm de existir simplesmente para alargar horizontes, para nos fazer pensar de um outro modo, para nos questionar, para nos enriquecer, para nos dar mundo e construirmos uma melhor versão de nós mesmos. Em suma, tal como disse que dois semelhantes iriam construir algo maior, é também esta diferença que ajudará a contribuir para o mesmo fim. Porque se vai dando, hoje eu, amanhã tu. Porque é a minha calma que te vai serenar as noites dos dias agitados e é o teu espírito mais alegre que me irá desafiar a enfrentar a vida com um novo olhar. É destas trocas, destas pequenas diferenças que nos definem, que surgirá a caminhada lado a lado. 

Seja para a convivência no dia a dia, seja para alimentar a chama do casal, dois iguais viram melhores amigos, e dois diferentes viram estranhos. É preciso haver equilíbrio. É preciso que se conheçam, mas que sejam dois seres individuais, que existam para além do outro. É preciso que sejam diferentes, mas não opostos, de modo a que se complementem e interajam de forma saudável. É preciso que haja mistério, que haja segredo, que haja coisas por desvendar, porque são esses ingredientes que vão manter o interesse, o encanto, o desejo, o erotismo. Se tudo for igual, se tudo for conhecido e sabido, não resta nada para explorar, nada para querer conquistar. Por outro lado, com uma dose de individualidade, um certo afastamento e algum suspense, há espaço para se criar, para se imaginar e para se caminhar.  

Afinal de contas, o segredo está no equilíbrio!