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Âncora de papel

by Miguel Oliveira

P.M.R.V.

09.03.19, Miguel Oliveira

Hoje faço-vos um pedido de ajuda.

Sei que vivemos na era do digital. As redes sociais dominam o nosso dia a dia, o objetivo de acedermos a elas para contactar com familiares ou amigos distantes há muito que foi ultrapassado e hoje, à distância de um click e de uns segundos, conseguimos falar com quem quer que seja, em qualquer parte do mundo, com os mais variados objetivos. O acesso tornou-se fácil, a ideia de que existe uma infinidade de possíveis contactos e a necessidade de uma constante novidade e interação fazem com que noções de "amizade", "privacidade" e "confiança" sejam subvalorizadas. Hoje tudo é "amigo", tudo é "normal" e partilhar o que quer que seja faz parte do jogo. Esta é a ideia com que fico ao olhar para as interações dos da minha geração, dos quais me tendo a afastar por não me identificar com o que os move, com o que lhes interessa e procuram. Porém, e porque vivemos sempre em interação e somos seres gregários, vejo-me confrontado com algumas situações que me deixam perplexo e a pensar se o mal é da sociedade ou meu, afirmando isto sem medo, mesmo que esta afirmação transmita algum ar de superioridade ou vaidade da minha parte. 

Passo a explicar o que aconteceu. 

Neste momento, a única rede social que uso onde "toda a gente" me pode contactar é o Facebook. Assim, no outro dia um rapaz "meteu conversa" comigo. Perguntas rotineiras, de quem contacta a primeira vez com alguém: "Olá. Tudo bem?"; "És de onde?"; "O que fazes da vida?"; "Que mais me contas sobre ti?", etc. Perguntas simples, tão boas como outras quaisquer. Falei sem problemas. As conversas não foram muito longas, sobretudo porque a pessoa em questão me procurava preferencialmente à noite e eu sou pessoa que me deito cedo. Dois dias depois do começo desta "amizade", fui surpreendido com a seguinte interrogação: "Desde que falamos que estou curioso com uma coisa. Posso fazer-te uma pergunta íntima?". Diz o povo que perguntar não ofende e o meu lema é que todos podemos perguntar tudo; se depois recebemos resposta do outro lado é que varia. Consenti a pergunta. "Ao ver as tuas fotos e ao imaginar o teu corpo, fiquei curioso com o teu pau. Gostava de o ver. Se preferires, posso enviar fotos do meu, primeiro, para depois mandares do teu.", foi esta a brilhante surpresa que recebi, ao ler uma mensagem assim que acordei. Fiquei perplexo, voltei a ler a mensagem e o meu estado manteve-se inalterado. A pergunta que lhe fiz, e que deixo aqui também - é este o meu pedido de ajuda - foi "porquê? De onde é que isto veio?".

P.M.R.V. (Pilas, Mamas, Rabos, Vaginas) parece que são os cartões de visita de hoje em dia. Isto podia ter várias leituras, podíamos fundamentar que uma boa primeira imagem é sempre agradável, que a apresentação física é importante e tudo mais, mas isto vai a um nível superior que eu, infelizmente, não consigo acompanhar. Por que raio é que "o meu pau" tem de ser apresentado à sociedade para eu interagir com pessoas? Por que razão é que eu mandar fotos íntimas vai sustentar o início de uma interação? Apesar desta minha postura, deixo claro que não sou púdico e sei que o sexting e a partilha das tão aclamadas nudes são o pão nosso de cada dia. Não tenho problema algum em alimentar uma conversa marota e erótica, ou até mesmo partilhar fotos mais íntimas, mas com a devida confiança e intimidade. Agora, o que me deixa intrigado é o seguinte: como é que fotos de P.M.R.V. vão ser úteis para as interações que se estão a iniciar? Qual é o objetivo de haver essa partilha? Será a masturbação? Será o ínfimo prazer de fazer piadas e de erotizar o momento com um desconhecido? 

Ajudem-me, a sério, porque eu não consigo entender! E mais, não quero passar a ideia de "certinho" e de "pessoa perfeita", porque não é o meu objetivo e a pessoa em questão já me disse que o ser "certinho e querer ser perfeito só leva a que não se arranjem amigos". Não fiquei triste com o comentário, mas senti que precisava de ajuda porque sou alguém curioso e gosto de compreender as situações. 

 

P.s.: se o "pau" é meu, partilho-o com quem quero e não será, seguramente, com "amigos". 

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