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ÂNCORA DE PAPEL

ÂNCORA DE PAPEL

A alimentação que não se vê

A sociedade tem alterado alguns dos seus hábitos de consumo. Por moda, preocupação ou cuidado com a saúde, a ideia que tenho é que temos vindo a tomar alguma consciência com o que comemos. Preocupamo-nos com o que ingerimos, com o que compramos para fazer as nossas refeições e onde comemos. Mas não somos feitos apenas de um corpo que precisa de alimentação cuidada para existir e funcionar. Somos feitos, também, de uma outra alimentação, de uma outra dimensão. Uma dimensão sem nome, feita de coisas que não se veem, mas que se sentem e se fazem notar. E é dessa que quero falar. 

Quantas vezes nos sentimos leves depois de nos afastarmos de um determinado local?

Quantas vezes a nossa boa disposição é anulada por estarmos perante uma determinada pessoa? 

Quantas vezes nos sentimos em paz, ao deitar, porque conseguimos dar a volta e sair de uma situação que só nos consumia energia e força de viver? 

Todos esses comportamentos são os ingredientes que fazem parte da roda alimentar daquela outra dimensão que falei anteriormente. Chamem-lhe alma, consciência, dimensão espiritual, ou qualquer outra coisa. Importa-me apenas salientar a importância de estarmos despertos para esses ingredientes nefastos, cheios de químicos e riscos para o nosso bem-estar. 

Quando nos damos ao outro, seja em contexto laboral, íntimo, de lazer ou familiar, estamos a partilhar a nossa energia, estamos a dar parte daquilo de que é feito o nosso interior. Ora, se damos de nós e existe uma troca recíproca e saudável, ficamos todos a ganhar e o saldo é positivo; por outro lado, se nos vemos envolvidos com pessoas ou ambientes que nada nos acrescentam e nada de positivo nos oferecem, então estamos somente a ser consumidos pelas más energias que se fazem sentir.

pessoas tóxicas

Se quiserem um exemplo claro, imaginem que são um copo de água, límpida e fresca. Quando nos rodeamos com pessoas com boas energias, rodeamo-nos com outros copos de água, cuja partilha apenas nos acrescenta "quantidade", mas em nada altera a nossa "qualidade" e o nosso aspeto. Porém, se nos permitirmos conviver com ambientes cujos envolvidos são pessoas tóxicas, que vivem centradas na vida dos outros, nos defeitos e nas críticas, estamos a permitir que eles, que funcionam como corantes alimentares, vão contaminando aqui e ali, dia a dia, alterando por completo a nossa aparência. 

Somos feitos de muita coisa, e precisamos de prestar atenção a cada uma delas. Se procuramos alimentar-nos bem, porque sabemos que o que se vê na nossa imagem é o reflexo do nosso interior, então o mesmo deve ser feito com aqueles que nos rodeiam. 

 

convívio com os outros

Papéis e papás

António sempre foi o palhacinho da família. Desde pequeno que fazia rir todos à sua volta. Na escola era o mestre das situações inusitadas e das gargalhadas. Cresceu, formou-se e hoje é advogado, profissão que exigiu de António um lado mais sério e concentrado. 

Somos seres humanos, seres inseridos numa sociedade com a qual vivemos. Nela, temos múltiplos papéis, diferentes funções em variadíssimas circunstâncias. Somos filhos, irmãos, colegas, profissionais, amantes, amigos, pais. Cada circunstância, cada momento exige de nós um papel, um determinado comportamento, uma postura que tem de ser adequada àqueles que nos rodeiam. Imaginam o palhacinho do António a contar anedotas numa audiência? Talvez não. Mas não deixa de poder ser uma pessoa extrovertida e que aplica os seus dotes no seio de amigos e da família, certo? Apenas tem de se adequar ao local em que se encontra e ao papel que ocupa. O exemplo deste António é apenas isso, um exemplo para falar de algo bem mais sério. 

Ontem, na TVI, foi transmitida uma reportagem que procurava abordar a questão dos divórcios e da violência doméstica, levantando-se a questão de os filhos serem também vítimas da mesma violência, pelo facto de estarem envolvidos e presenciarem as guerras dos pais. Pois bem, é sobre pais que quero falar. 

Duas pessoas começam uma relação. Neste momento, forma-se um casal. Posteriormente, existe a possibilidade de este casal querer alargar a sua família e querer ter filhos. Quando tal acontece, o casal passa também a desempenhar a função de pais. Aquelas duas pessoas, que inicialmente tinham recebido o papel de serem companheiras uma da outra, agora receberam um novo papel - o de serem responsáveis por alguém.

É comum ouvir-se dizer, sobretudo aquando do nascimento do primeiro filho, que os recém papás não se podem esquecer que também são um casal, devendo olhar por si e pelos momentos a dois, pois é importante conciliar todos os papéis. Até aqui acho que está tudo claro e parece ser fácil distinguir as coisas. Porém, tudo se complica quando um casal com filhos se separa. E complicam-se quando existe a dificuldade em diferenciar tais papéis.

O que ali está a terminar é o tal primeiro papel que aquelas duas pessoas assumiram, o de serem companheiras uma da outra, o de terem uma relação amorosa. O que ali se finda é o projeto de vida conjunta que aquelas duas pessoas decidiram começar. Os filhos, aqueles que foram gerados por dois adultos, são e continuarão a ser isso mesmo, filhos. Da mesma forma, aqueles dois seres adultos que agora romperam com a sua união enquanto casal, continuarão a ser pais, estatuto que lhes foi atribuído a partir do momento em que geraram uma criança. É tudo uma questão de papéis.  

Os filhos não escolheram a sua família nem tão pouco o rumo amoroso da relação dos seus pais. Nasceram e a eles deve apenas incumbir-se a tarefa de serem filhos. Aos pais, cabe-lhes a tarefa de proteger, acarinhar e responder, na medida do possível, a todas as necessidades dos filhos. Por outro lado, e porque são coisas distintas, ao casal que agora se desfez resta-lhes resolver o que a eles diz respeito, enquanto ex-casal. Se há guerras entre A e B, devem ser resolvidas entre A e B, sem envolver os filhos. Se um não paga a pensão de alimentos ou o outro agarrou o seu direito de seguir com a sua vida, constituindo uma nova família, isso não deve ser colocado aos ombros de um filho. Não se têm de fomentar e alimentar jogos de rivais entre pais e filhos. Não é preciso A dar mais do que B; B comprar viagens mais caras do que A; A continuar solteiro(a) para mostrar que só quer amar o(a) filho(a) e não outra pessoa. Não é preciso nada disso. Sendo pais, porque o são até morrerem, têm apenas de cumprir o seu papel, permitindo à sua descendência a existência de dois progenitores, num ambiente harmonioso e de qualidade.

 

Quando termina um casamento, termina uma relação amorosa entre dois adultos, e não a obrigação desses dois adultos cuidarem e protegerem os seus filhos. É tudo uma questão de papéis, queridos papás. 

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