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ÂNCORA DE PAPEL

ÂNCORA DE PAPEL

Opostos ou Iguais? Equilibrados!

Diz o povo que os opostos se atraem. Em certa medida até posso concordar, mas não me parece que o mesmo dito popular possa ser aplicado a uma relação duradoura. Porém, duas pessoas iguais também não me parece que seja a melhor combinação para uma relação se desenvolver e perdurar. Nem opostos nem iguais. O ideal? O equilíbrio! 

Não podemos ter duas pessoas tão iguais que se fundam uma na outra, nem tão distantes que se percam no espaço que existe entre elas. Precisamos, em vez destes casos extremados, de um meio termo.

Obviamente que têm de haver traços comuns. Destes, podemos falar em gostos, valores, formas de estar na vida, objetivos ou até sonhos de vida. Tem que existir algo que una as duas pessoas, que as atraia de forma a que algo maior possa ser construído. E destas parecenças, surgirá compreensão, respeito, partilha e companheirismo. Só existindo algo em comum, é que o outro conseguirá colocar-se no lugar do(a) amado(a). Mas não é tudo. Precisamos de diferenças. E essas diferenças, ainda que subtis, têm de existir. E têm de existir simplesmente para alargar horizontes, para nos fazer pensar de um outro modo, para nos questionar, para nos enriquecer, para nos dar mundo e construirmos uma melhor versão de nós mesmos. Em suma, tal como disse que dois semelhantes iriam construir algo maior, é também esta diferença que ajudará a contribuir para o mesmo fim. Porque se vai dando, hoje eu, amanhã tu. Porque é a minha calma que te vai serenar as noites dos dias agitados e é o teu espírito mais alegre que me irá desafiar a enfrentar a vida com um novo olhar. É destas trocas, destas pequenas diferenças que nos definem, que surgirá a caminhada lado a lado. 

Seja para a convivência no dia a dia, seja para alimentar a chama do casal, dois iguais viram melhores amigos, e dois diferentes viram estranhos. É preciso haver equilíbrio. É preciso que se conheçam, mas que sejam dois seres individuais, que existam para além do outro. É preciso que sejam diferentes, mas não opostos, de modo a que se complementem e interajam de forma saudável. É preciso que haja mistério, que haja segredo, que haja coisas por desvendar, porque são esses ingredientes que vão manter o interesse, o encanto, o desejo, o erotismo. Se tudo for igual, se tudo for conhecido e sabido, não resta nada para explorar, nada para querer conquistar. Por outro lado, com uma dose de individualidade, um certo afastamento e algum suspense, há espaço para se criar, para se imaginar e para se caminhar.  

Afinal de contas, o segredo está no equilíbrio! 

Rituais

No seu sentido figurado, um ritual define-se como "um conjunto de regras ou procedimentos que devem ser seguidos num ato solene ou formal" (Dicionário Priberam da Língua Portuguesa). Por outras palavras, podemos dizer que um ritual é aquilo que executamos individualmente, a pares ou em grupo, carregado de valor simbólico.

Porém, serão os rituais importantes na nossa vida quotidiana? Considero que sim. Por um lado, fornecem-nos um traço mais grosso do que somos enquanto indivíduos e enquanto elementos de um sistema. Dão-nos forma. Por outro, se tendemos a colocar em prática aquela atividade é porque nos é prazerosa, porque contribui para o nosso bem estar e tem um significado importante para nós. Por exemplo, em muitas famílias o jantar é um momento importante, por ser a única altura do dia em que se podem reunir tranquilamente à volta de uma mesa. Para alguns jovens, quando inseridos num grupo de amigos, pode ser importante irem lanchar ou conviver a seguir a um exame ou frequência. Numa relação amorosa, o sábado à noite pode ser o momento do casal, quando este se encontra mais disponível ora para uma ida ao cinema, um passeio ou um jantar. Mas mesmo sozinhos podemos ter os nossos rituais, como por exemplo escrever em jeito de introspecção ao fim de cada ano ou fazer uma viagem sozinhos, todos os anos, para um novo país. Seja como for, os rituais atribuem especificidade e unidade a cada um de nós, seja a nível mais pessoal ou grupal.

Dentro dos rituais, interesso-me especialmente por aqueles que são vividos a dois, no seio de um relacionamento. Acredito que é (também) na construção e vivência de rituais que se dá força à relação, que se fortalecem as ligações e que tornamos único o que vivemos com alguém. 

Há cerca de dois meses fui a um congresso centrado nas crises que o amor enfrenta, na atualidade. Nele, uma conceituada terapeuta de casal partilhou o que aconselha a todos os casais que a procuram: sempre que um membro do casal chega a casa, o outro deverá largar tudo o que está a fazer e receber o parceiro num abraço tão carinhoso e tão duradouro quanto o outro precisar, até que deixe tudo o que traz consigo fora de casa.

Quantas vezes vimos imbuídos nas chatices e confusões do dia a dia, despejando tudo em cima do outro, assim que chegamos a casa? Quantas vezes um membro do casal é o saco de boxe do outro, num momento de descompressão depois de um dia duro? "Obrigando" o outro a acalmar, deixando fora de casa as arrelias que a ela não pertencem pareceu-me um momento muito especial, como se recebêssemos alguém (ou alguém nos recebesse) com tudo o que tem, num momento de puro carinho e conforto.

Este é só um exemplo daquilo que poderá ser feito quando se chega a casa ou numa outra circunstância qualquer. Precisamos de encarar as nossas relações com mais respeito, com mais importância, onde o cuidar deve ser um ritual a seguir. 

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