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ÂNCORA DE PAPEL

ÂNCORA DE PAPEL

Bem-estar psicológico e sexual

saúde sexual

Este é um post diferente, mas muito próximo daquilo que costumo partilhar aqui. 

Com o objetivo de "estudar a relação entre o bem-estar psicológico e o bem-estar sexual", uma equipa de investigadores do Porto em parceria com o Canadá procuram perceber a relação entre estes dois construtos. 

É através das investigações que se avança no conhecimento. É através da partilha de pensamentos, ideias feitas e mitos que se consegue informar melhor a população. Por isso, e por acreditar e sentir que há muito para ser feito no domínio da sexualidade, partilho aqui os links de acesso a este questionário. 

Com uma duração de 15-20 minutos, vamos "contribuir para melhorar a compreensão acerca dos fatores que afetam a saúde sexual".

Existe uma versão para o género masculino e outra para o género feminino. Preencham e partilhem. Quantos mais preenchermos, mais informados poderemos vir a ficar. 

Sexualidade casa adentro

Gosto da Cristina Ferreira. E gosto dela enquanto pessoa, pelo que me é permitido saber sobre a sua pessoa, e enquanto profissional, pelo empenho, pela entrega, pela energia e pelo olhar sincero. Já tive oportunidade de estar com ela mais do que uma vez, e vê-la em off só fortalece o que é no ar. 

Nos seus projetos, que acompanho desde o início, gosto da naturalidade com que procura abordar os assuntos, mais ou menos delicados, porque se existem, então fazem parte da nossa vida e, como tal, devem ser encarados com naturalidade para que não se criem tabus. E o que é que o nome dela tem a ver com sexualidade, o título deste post? A resposta é só uma: naturalidade, a naturalidade com que fala da sexualidade e do que ela envolve. 

Já falou de brinquedos sexuais no seu Programa, assim como perguntou à Filomena Cautela, na sua revista, se tinha e se usava algum brinquedo. Já levou mais do que uma vez sexólogos ao seu Programa para abordar temas relacionados com a intimidade de um casal. Mais recentemente, na sua revista, trouxe o tema da sexualidade na deficiência, onde deu voz a uma mãe, que se viu confrontada com a necessidade de o seu filho, portador de deficiência, se estimular sexualmente e de assistir a pornografia. No mesmo sentido, deu voz à diretora de uma associação que acolhe pessoas com deficiência, onde fica o testemunho, em primeira mão, da importância e da necessidade de se considerar este domínio também em pessoas portadoras de deficiência. 

E porquê o exemplo da Cristina Ferreira? O que tem a ver com o post? Tudo. Porque aborda com naturalidade o que é natural, porque procura dar voz àquilo que ainda é falado baixinho ou em contextos muito específicos, como na área da Psicologia ou da Medicina. Mas não fazemos todos sexo? Não temos todos fantasias sexuais? Não temos todos dúvidas e desejos? Não conhecemos todos alguém portador de deficiência, com maior ou menor proximidade? E é nisso que ela se diferencia.

É através dela que os temas nos entram casa adentro, de forma gratuita, porque basta ter a televisão ligada ou seguir as suas redes sociais para saber do que fala. E ao contrário dos comentários que lhe fazem, de ser "porca", "depravada", "sem nível" ou "ter falta de sexo", o que ela faz é educar, é contribuir para que as coisas sejam chamadas pelos nomes, em horário livre, de acesso a todas as idades, da mesma forma para todas as classes sociais. E não a estou a defender. Nem sou ninguém para tal. Estou apenas a defender a necessidade de se falar de sexualidade, das suas múltiplas formas e de se desmistificar o que não tem de ser mito nem tabu. Só falando é que se esclarece, é que se ganha liberdade para pensar e refletir a mais do que uma voz.

Comprar um objeto sexual não é de alguém depravado. É o mesmo que comprar uma lingerie mais atrevida ou uns boxers mais provocantes. Há quem goste de investir nessas peças e há quem não lhes reconheça utilidade porque se acaba sempre nu. Isso depois é uma opção de cada um. Mas todos servem para o mesmo: contribuir para a intimidade do casal, contribuir para o bem-estar e para a satisfação, individual e/ou conjunta. 

Talvez hoje, porque na maioria das novelas dos diferentes canais existem pares homossexuais, seja mais fácil lidar com a homossexualidade. Estamos na sala a ver a novela e está ali um casal à nossa frente, ainda que ficcionado. Não dá para evitar o assunto. Talvez porque existe um prostituto masculino numa novela, nos seja oferecida a possibilidade de encararmos essa realidade e ganhemos consciência para refletir sobre a sua existência e eventuais desafios. 

É preciso educar. É preciso que se fale, que se mostre o que existe para que sejam alargados horizontes, para que se deixem cair muros e se conheça o que há a nossa volta. Fale-se ou não, as coisas existem, e quanto mais se falar, quanto mais for divulgado, mais fácil é interagirmos uns com os outros, conhecendo um pouco melhor a realidade de cada um e enfrentarmos as coisas como elas são. 

Cultura também é educação, e se há programas de televisão, revistas, filmes, novelas, onde existe visibilidade para esclarecer novelos de confusões e mitos, então que lhes seja sempre dado espaço para isso. 

Obrigado, Cristina!

Sexualidade(s)

Celebrou-se ontem, dia 4 de setembro, o Dia Mundial da Saúde Sexual e o jornal Público apresentou os resultados de um estudo feito em Portugal. Conclusões? 40% dos portugueses assumem ter problemas sexuais. Noutro jornal, no Expresso, é feito um retrato da vivência da sexualidade em Portugal. No vídeo ("Saúde sexual: Temos mesmo de falar sobre isto") são apresentados os resultados de uma investigação feita com portugueses, abordando questões como o tempo médio da relação sexual, a avaliação do desempenho sexual e o desejo sexual sentido. 

Falar abertamente sobre sexo parece que ainda é um pouco tabu, apesar da grande visibilidade que a temática tem em tudo à nossa volta, desde séries, filmes ou livros. Somos capazes de dizer, protegidos pelo tom de brincadeira, que "até os bichinhos gostam", mas sempre que a temática surge noutro contexto, parece vir acompanhada de algum prurido e um tom de voz mais trémulo, mesmo entre amigos. Mas é preciso falar de sexo, da vivência da sexualidade e da forma como esta temática (tão importante) é discutida pelos casais. 

Arrisco-me a dizer que as relações amorosas são um pack completo, envolvendo não só estabilidade e romantismo, mas também a existência de uma satisfação emocional e sexual. Porém, estas não são dimensões definidas da mesma forma por todas as pessoas (muito menos de casal para casal) nem tão pouco apresentam a mesma importância para cada par conjugal. Ora, como em tudo na vida, é necessário que os casais comuniquem (e/ou aprendam a comunicar) sobre todas estas questões (não sendo esta "a" solução infalível, é a este aspeto importante que agora me refiro). Parece-nos claro que um casal discuta se é muito ou pouco "meloso", se gosta ou não de surpresas românticas, se fazem muita ou pouca coisa juntos, entre outras coisas, mas fico com a sensação de que não se fala muito sobre a vivência da sexualidade. Do que vou lendo, ouvindo e até da minha experiência pessoal, fico com a ideia que se fala (mais ou menos) abertamente de sexo no início da relação, onde a paixão e o desejo sexual iniciais exigem o levantamento das questões. Conseguimos partilhar algumas experiências anteriores, algumas fantasias, trocar uma ou outra posição sexual preferida, tudo porque é importante conhecer os gostos do(a) parceiro(a), a fim de agradarmos. E quando o tempo passa? E quando as relações vão passando para patamares superiores, onde outras questões são valorizadas e intensificadas? Ainda se fala sobre sexo? Ainda há disponibilidade/abertura para que se diga (e se seja ouvido sobre) o que se gosta e o que não se gosta? Conseguimos dizer, com frontalidade e firmeza, o que queremos que continue igual e o que queremos que mude porque não estamos satisfeitos? Arrisco-me a dizer que na maioria dos casos não, sobretudo porque as questões de falta de desejo sexual ou o fingimento dos orgasmos, por parte do sexo feminino, não são resultados só de agora. 

Vivemos numa época bastante sexual (esta é apenas uma opinião pessoal), mas tirando a concretização do ato, enaltecido e sobrevalorizado, pouco mais é falado. Consequências disso? Casais sem intimidade. Casais que procuram ajuda profissional devido à insatisfação sexual. Casais que se separam porque encontram fora a chama e o desejo que se perdeu dentro de casa. As pessoas têm gostos e necessidades diferentes. Têm um historial sexual diferente, marcado por experiências diversas. Todas as pessoas são diferentes e o que é bom e suficiente para uma, pode ou não ser suficiente para outra, ainda que seja bom. Se temos alguém ao nosso lado, temos que o conhecer, saber o que gosta, como gosta, o que precisa, em que quantidade/intensidade, etc.

Costumo dizer que dou exemplos muito inapropriados para retratar as situações, mas pense comigo: se não perguntarmos a uma criança qual o sabor do gelado que mais gosta, como é que lhe vamos satisfazer o desejo? Se não perguntarmos a um professor quais as orientações para a formatação de um trabalho, quais são as hipóteses de obtermos uma boa nota sem sermos penalizados por termos feito tudo ao lado? Não será igual na vivência da sexualidade do casal? Se um não fala sobre a sua insatisfação e o outro nada pergunta, tudo vai continuar na mesma, até ao dia em que terminam as relações sexuais, eventualmente (sim, sou exagerado por natureza, mas acontece!). 

Tal como é referido no vídeo acima mencionado, é necessário que se comunique sobre o que se gosta e o que não se gosta, que se partilhem receios e vontades, inquietações e fantasias. A vivência da sexualidade num casal é uma dimensão importante, que deve ser alimentada e explorada como qualquer outra dimensão/temática. 

Não existe a sexualidade, existem múltiplas "sexualidades", cada pessoa com a sua, cada casal com a sua, algo que é construído (e destruído) a quatro mãos. 

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