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ÂNCORA DE PAPEL

ÂNCORA DE PAPEL

Cristina, por exemplo

Cristina Ferreira foi eleita Mulher do Ano na gala Men of The Year, da revista GQ Portugal. As notícias dão conta do acontecimento e os comentários, muitos deles como têm sido hábito sempre que se fala da apresentadora, são depreciativos, questionando o seu papel e contributo para a sociedade, não faltando os comentários à sua voz estridente, ao seu estilo “parolo”, como dizem, e às muitas férias que faz. Como pessoa influente que é, e isso é inegável, há quem a adore e quem a odeie. Gostos à parte, este é só um exemplo para abordar o assunto sobre o qual escrevo hoje. 

Não temos de gostar nem de nos identificarmos com toda a gente. Nisso não há mal nenhum e este não é um texto a favor ou para defender a apresentadora. No entanto, os comentários e as questões que se levantam em torno desta nomeação são o exemplo daquilo que é a realidade dos nossos dias: olhamos pela superfície, tecemos comentários rápidos e fáceis sobre tudo e todos, lá do alto da nossa sabedoria e poder de argumentação.

As redes sociais tornaram-se poços de (múltiplas) verdades absolutas, auditórios de gente informada e detentoras de conhecimento fidedigno, onde a ofensa e o insulto surgem de forma gratuita. Sobre isto, penso que falta humildade, que falta noção, que falta algum controlo nas palavras e na "língua", porque estamos a falar de pessoas e de vidas, que não conhecemos, porque mais ou menos familiar, só quem está no convento sabe o que lá vai dentro. Se pudesse deixar um conselho, assinava por baixo do psicólogo Jordan Peterson - "Ponha a sua casa em ordem antes de criticar o mundo". 

À superfície

Vivemos numa sociedade sem tempo, onde as horas são reféns das obrigações e não nos sobra tempo para nos olharmos, para nos escutarmos, para sermos aquilo que deveríamos ser: mais humanos. 

Quantas vezes, na azáfama do dia a dia, nos vamos distanciando daqueles que em tempos nos foram próximos? Quantas vezes já nos aconteceu cruzarmo-nos com alguém que não víamos há algum tempo e o nosso primeiro impulso é perguntar como está a sua vida? Se já namora ou casou, se já saiu de casa dos pais ou se tem filhos, se já comprou ou concretizou aquela ideia que tinha em mente da última vez que a vimos? Voltamo-nos para fora, para as conquistas, para os desafios, mas não lhe perguntamos se está bem, como se sente, se anda feliz, se está satisfeita com a sua vida, se precisa de falar sobre alguma coisa.

Sim, essa pessoa pode até já estar numa relação, mas está bem? Sente-se amada e está feliz?

Sim, conseguiu concluir o curso ou foi promovida, mas como se sente no novo cargo? Foi uma mudança positiva ou foi um virar de página acompanhado de sentimentos menos positivos?

Temos de desenvolver esta nossa forma de abordar os outros, de nos fazermos chegar e demonstrar interesse genuíno pela pessoa, pelo seu bem estar e pela sua tranquilidade. Talvez gostássemos que fizessem o mesmo por nós...

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