Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Âncora de papel

by Miguel Oliveira

Uma ferida aberta

27.11.18, Miguel Oliveira

É uma manhã chuvosa de outono. Lá fora as árvores acenam a quem passa. As folhas caídas no chão envolvem-se numa dança sem fim. Tudo parece ter movimento e energia, menos eu. Faltas-me tu. Ou talvez me falte a parte de mim que levaste contigo no dia em que foste embora. Ou talvez me faltem os dois. Mas sinto falta de ti, de mim, de nós. É um vazio difícil de explicar. É como se olhasse para dentro de mim e houvesse um buraco fundo, gelado, escuro, daqueles onde não há vida e o mínimo som ecoa até mais não.

Olho para trás e parece que ainda ontem estavas aqui. Ainda ontem estávamos nos braços um do outro, naquele conforto tão nosso, nos olhares que falavam e nos lábios que sorriam. Falta o teu abraço, o teu toque, a nossa gargalhada, os nossos sorrisos. 

Em tempos pensei no fim de uma relação como um golpe que não sara. Um corte que está sempre fresco, pronto para nos magoar ao mais pequeno toque. É como se tivesse de fazer tudo como dantes, mas com aquele golpe no dedo que me atrapalha em tudo. É fazer de tudo para que feche, para que se reduza a uma simples marca, e quando está quase a ficar curado, um novo percalço acontece e volta tudo ao início. Não sei como me ocupar, como preencher este espaço e sarar esta ferida. Até nisso fazes falta.

 

1 comentário

comentar