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Âncora de papel

by Miguel Oliveira

Virgindade sem tempo

22.01.19, Miguel Oliveira

Uma rapariga de 18 anos, participante de um programa de televisão, afirma nunca ter namorado nem beijado alguém. Estas afirmações são usadas na divulgação do episódio, nas redes sociais. Reações imediatas? Insultos, troça e comentários desprovidos de qualquer noção. 

Estamos em pleno século XXI, altura em que as redes sociais fazem parte do nosso dia a dia e servem para tudo. A era das aplicações revolucionou a forma como contactamos, como nos conhecemos uns aos outros e como partilhamos parte da nossa vida com quem queremos. Hoje conseguimos marcar encontros, sexuais ou não, num click, sendo fácil (e rápido) ter envolvimentos sexuais com qualquer pessoa, independentemente da sua localização geográfica. Se isto é um facto e uma das consequências dos tempos modernos, o direito à privacidade, à intimidade e à vontade própria continuam a existir e devem ser respeitados. 

Os envolvimentos sexuais começam cada vez mais cedo, é sabido. Da mesma forma, também a investigação (Kinsey Institute, 2017) revela que é entre os 18 e os 29 anos que se tem uma vida sexual mais ativa, com uma média de três relacionamentos sexuais por semana. Porém, isto tem de ser imposto? Temos de obrigar todos os jovens a envolver-se sexualmente só "porque está na idade", da mesma forma como somos obrigados a ir ao Dia da Defesa Nacional? E digo jovens porque isto não é um assunto apenas de raparigas.

Longe vai o tempo onde as pessoas se "guardavam para o casamento". Porém, todos temos o nosso tempo, os nossos interesses, as nossas convicções e os nossos fantasmas. E perante isto, basta apenas respeitar!

A "propaganda" ao sexo está presente em livros, séries, filmes, novelas e nas conversas de qualquer grupo. Fala-se dele com mais naturalidade, desde idades cada vez mais jovens. Mas esquecemo-nos de algo importante: iniciar a nossa vida sexual é entrar num mundo desconhecido, um mundo repleto de informações, de vivências, de possibilidades. Iniciar a nossa vida sexual é iniciar uma aventura onde raramente tudo corre bem à primeira, é envolvermo-nos com questões de autoestima, de imagem corporal e de performance, onde o nu e o desempenho sexual são avaliados e julgados. Ainda que faça parte de nós e do nosso desenvolvimento, é uma área da nossa vida que envolve muitas questões e que não deveria ser tão banalizado. 

Não sei quais foram as razões para a dita rapariga não ter iniciado a sua vida sexual. Sei, apenas, que está no seu direito, porque é dona de um corpo e de um espaço que só a ela pertencem. Quanto aos "especialistas" que a insultaram ou fizeram troça, gostava apenas de dizer que é por atitudes gratuitas como essas que muitas vezes crescemos envoltos de ideias feitas e que interferem com o nosso bem estar. 

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