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Âncora de papel

by Miguel Oliveira

Voltar para os braços da minha mãe

20.07.19, Miguel Oliveira

sentir-me em casa

(este texto pede uma banda sonora apropriada. Clique na imagem para ouvir)

É sexta feira. O relógio marca 1h32 da madrugada. Nunca como agora, desde que me lembro, olhei para as horas desta forma. É tempo de voltar. É tempo de regressar ao que é meu, onde me sinto eu. É tempo de regressar a casa. 

Uma semana fora. Uma semana entre vilas que não conhecia, que não me eram nada, que não eram a minha casa. Uma semana a acordar num quarto que não era o meu, a fazer a rotina numa casa que me era estranha, a percorrer ruas que não conhecia, a cruzar-me com pessoas que nunca vira. Assim foi a minha semana. Assim foi a minha primeira semana fora de casa. Mas agora, a instantes de entrar no prédio que tão bem conheço, sinto-me em casa. 

Olhei para a janela de minha casa. O reflexo da luz que se via nas janelas da marquise adivinhava alguém na sala, à minha espera. Estaria alguém para me receber, apesar das horas tardias. O som da porta do prédio é-me familiar. Os cheiros são-me familiares. Cheguei a casa. Coloco a chave na porta e estou feliz. Esta é a minha casa. Os meus cheiros. Os meus cantos e recantos que consigo percorrer de olhos fechados, com muito mais segurança do que a casa vazia que agora habito. Da sala, feliz e contente, sai a minha mãe. Que saudades daquele abraço. Que saudades daquele cheiro. Que saudades de me sentir reconhecido em algum lugar. 

A casa continua quente. O sofá da sala, onde me deito ao colo dela, tem ainda mais significado. Colocámos a conversa em dia. Estivemos uma semana sem nos vermos. E isso não é novo entre nós. Novo é saber que essa semana se prolongará por um período de 9 meses, marcado pontualmente por visitas de fim de semana. Isso sim, é novo e tem um "q" de assustador. 

Ambos reconfortados e de coração cheio, entre abraços e sorrisos, fomos dormir. Cheguei ao meu quarto. Não há lugar melhor que o nosso quarto, a nossa cama, as nossas roupas, os nossos pertences. Podemos estar na melhor viagem, no melhor hotel ou na melhor aventura do mundo, mas não há lugar como o nosso. Ainda que muito cansado, não tinha sono. Estava muito agitado. Não sabia como era chegar a casa desta forma. Entre voltas na cama, lá adormeci, sentindo-me em casa e reconhecendo o espaço. Que sensação tão boa! 

Regressei a casa. Amanhã regresso à outra, que em parte, algum dia, também será um pouco minha, mas nesta estou feliz! Nesta sou eu, com os meus! 

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